Em crise, Itália convive com 'êxodo' de empresas

Símbolos do país passaram para controle estrangeiro recentemente

20:04, 29 JulSÃO PAULO ZLR
(ANSA) - Enfrentando uma grave crise econômica que já dura sete anos, a Itália tem visto nos últimos tempos várias de suas principais empresas passarem para mãos estrangeiras.
    A última delas é a produtora de cimentos Italcementi, que será controlada pelo grupo alemão HeidelbergCement, mas a lista inclui diversas outras companhias consideradas símbolos nacionais, do setor de moda a clubes de futebol. Referência do luxo e do design italianos, a Bulgari, por exemplo, foi comprada em 2011 pela holding francesa LVMH, dona da Louis Vuitton.
    O mesmo grupo já havia adquirido anteriormente pequenas "joias" do segmento têxtil no país, como Fendi, Berluti e Emilio Pucci.
    Em 2013, a LVMH ainda pagou 2 bilhões de euros para ter 80% da Loro Piana, empresa do ramo de alta moda que produz peças de lã e cashmere.
    No mesmo setor, a Valentino passou a ser controlada em 2012 pela sociedade Mayhoola for Investments, do Catar, enquanto em 2011, a rede de lojas de departamento La Rinascente foi vendida para a Central Retail Corporation, principal varejista da Tailândia.
    Outro ícone da Itália, a fabricante de iates Ferretti foi cedida em 2012 para os chineses do Shandong Heavy Industry Group. A segunda economia do mundo, aliás, tem mostrado um apetite especial pelo "made in Italy".
    No último mês de março, a estatal química ChemChina chegou a um acordo para comprar a participação do grupo financeiro Camfin na fabricante de pneus Pirelli (26,2%). Com isso, o colosso chinês se tornará o principal acionista da fornecedora oficial de compostos para a Fórmula 1.
    No entanto, o centro de pesquisas e a sede da companhia continuarão na Itália, e o presidente Marco Tronchetti Provera seguirá no cargo. No mesmo mês, o conglomerado industrial Finmeccanica passou para a japonesa Hitachi 100% da Ansaldo Breda, tradicional fabricante de trens de alta velocidade.
    Já a Indesit, uma das principais empresas de eletrodomésticos da Europa, foi parar, em julho do ano passado, nas mãos da norte-americana Whirlpool Corporation. Também tradicional, a Parmalat pertence desde 2012 ao grupo francês Lactalis.
    Ainda da França, a Vivendi adquiriu da Telefónica seu controle sobre a Telecom Italia, que no Brasil é dona da TIM. A mudança é fruto da negociação que cedeu à empresa espanhola o comando da operadora GVT.
    E a onda de aquisições não poupou nem o setor esportivo. Em novembro de 2013, um dos maiores clubes do país, a Inter de Milão, teve 70% de suas ações vendidas para o magnata indonésio Erick Thohir em uma operação de 250 milhões de euros.
    Seu grande rival, o Milan, ganhará em breve um acionista tailandês, o bilionário Bee Taechaubol. Ao menos neste caso, o controle deve ficar nas mãos italianas de Silvio Berlusconi, já que o acordo prevê a cessão de uma fatia de "apenas" 48% da equipe rossonera. (ANSA)

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