UE, Chile e China suspenderão compra de carnes do Brasil

Efeitos da "Operação Carne Fraca" começam a aparecer no comércio

BRF foi uma das empresas alvo da operação Carne Fraca
BRF foi uma das empresas alvo da operação Carne Fraca (foto: Ronaldo Silva/Futura Press)
18:14, 20 MarSÃO PAULO ZBF

(ANSA) - A União Europeia (UE) pode suspender a compra de carne de todas as empresas brasileiras e frigoríficos envolvidos no escândalo de mercadorias podres denunciado na última sexta-feira (17) pela Polícia Federal.

De acordo com o porta-voz da Comissão Europeia para assuntos de Saúde, Enrico Brivio, o bloco avalia adotar medidas de restrição à importação das carnes brasileiras, como uma maior vigilância dos produtos, e a proibição de comercialização de todas as empresas citadas pela PF.

A UE espera que o Brasil retire as companhias da lista de exportação, mas, caso contrário, o país sofrerá com as restrições. "Estamos em um processo para garantir que todos aqueles envolvidos na fraude não possam exportar para a Europa", disse Brivio.
   

Além da Europa, a China, a Coreia do Sul e o Chile também informaram o Ministério da Agricultura de que suspenderão as importações. O ministro chileno da Agricultura, Carlos Furche, anunciou que a compra de carne brasileira ficará suspensa até "que as investigações avancem".

A "Operação Carne Fraca", deflagrada há três dias, acusou frigoríficos de adulterarem carnes, usando componentes químicos e até cancerígenos, para vender produtos que já estariam podres.
   

O esquema envolveria inspetores sanitários e membros do governo. Eram colocados produtos químicos para melhorar o aspecto das carnes, além de serem alteradas etiquetas com as datas de validade. Até o momento, três frigoríferos foram fechados, 30 pessoas foram presas e 21 empresas sob investigação, como as gigantes do setor JBS e BRF.


 As principais exportadoras de carne bovina, por sua vez, negaram a acusação e alegaram ser um "mal entendido".

O escândalo pode comprometer a balança comercial brasileira e é um duro golpe à economia e à imagem do país no exterior. Para tentar conter os efeitos negativos, o presidente Michel Temer jantou ontem (19) em uma churrascaria com diplomatas.

Itália

A Confederação Nacional dos Cultivadores Diretos (Coldiretti) afirmou, em nota, que o polêmico caso sobre a venda de carnes podres é "um risco para os cidadãos europeus e que precisa ser resolvido imediatamente para não colocar em risco a saúde do consumidor".

Segundo o comunicado, "a Itália é um dos maiores importadores de carne do Brasil, com uma quantidade superior a 30 milhões de quilos que atravessaram as fronteiras em 2016". No entanto, assim como a UE , o país espera que o Brasil retire as companhias da lista de exportação.

"As investigações da polícia brasileira envolve boa parte dos maiores produtores de carne, que têm interesses na Itália, e teriam adulterado a mercadoria usando componentes químicos", diz a nota. (ANSA)

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