Trump sobretaxa aço e alumínio e ameaça com guerra comercial

Presidente disse que adotará "reciprocidade" contra países

Trump sobretaxa aço e alumínio e ameaça com guerra comercial
Trump sobretaxa aço e alumínio e ameaça com guerra comercial (foto: EPA)
13:26, 09 MarWASHINGTON ZLR

(ANSA) - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou nesta quinta-feira (8) o decreto que sobretaxa a importação de alumínio e aço em 10% e 25%, respectivamente, em uma medida que pode desencadear uma guerra comercial no planeta.

Em seu pronunciamento na Casa Branca, o republicano afirmou que a ação protecionista tem como objetivo interromper um "assalto aos EUA" e prometeu adotar um programa de reciprocidade contra nações que sobretaxam produtos norte-americanos, citando nominalmente China e Índia - a primeira é a maior produtora mundial dos dois minérios.

O aumento da taxação pode afetar a indústria siderúrgica brasileira, segunda maior exportadora de aço para os Estados Unidos, atrás apenas do Canadá. Até o momento, o decreto não prevê exceções, mas Trump disse que está aberto a modificar as tarifas para "países amigos".

A Casa Branca justifica a medida com o argumento da "segurança nacional", mas o próprio presidente afirma que o objetivo é "proteger" a indústria de aço e alumínio nos EUA, mostrando cooperação e flexibilidade com os "verdadeiros amigos" - Washington alega que o setor bélico local precisa ser abastecido por produtores domésticos de minérios.

Se o Tratado Norte-Americano de Livre Comércio (Nafta) for renegociado, como exige o presidente, Canadá e México ficarão isentos dos novos impostos, que entrarão em vigor dentro de 15 dias.

Apesar de a China não estar entre os principais exportadores de aço e alumínio para os EUA, o tamanho de sua produção aumenta a oferta dos minérios no mercado e derruba os preços, inclusive em solo norte-americano, onde o custo de fabricação é mais alto.

Reações

A China, que desde a posse de Trump tenta assumir a liderança do mundo globalizado, afirmou que dará uma resposta "justificada e necessária". "Esperamos que a China e os Estados Unidos tenham um diálogo calmo e construtivo sobre bases paritárias e encontrem uma solução ganha-ganha", disse o ministro das Relações Exteriores de Pequim, Wang Yi.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) também se pronunciou, ainda antes da assinatura do ato, e reiterou que "não há vencedores em uma guerra comercial". Além disso, mais de 100 parlamentares republicanos tentaram convencer Trump a desistir da ideia, já que o partido é tradicionalmente a favor do livre comércio.

Nos últimos dias, a União Europeia já havia ameaçado sobretaxar produtos norte-americanos, como motos Harley-Davidson e jeans Levi's. (ANSA)

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