Brasil busca saída para sobretaxa de aço, diz Azevêdo

Diretor da OMC foi recebido pelo presidente Temer

Brasil busca saída para sobretaxa de aço, diz Azevêdo
Brasil busca saída para sobretaxa de aço, diz Azevêdo (foto: ANSA)
10:26, 13 MarSÃO PAULO ZLR

(ANSA) - O presidente Michel Temer recebeu na tarde desta segunda-feira (12) o diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Roberto Azevêdo.

Os dois conversaram sobre a decisão dos Estados Unidos de aplicar tarifas para importação de aço e alumínio. Após o encontro, Azevêdo disse que o governo brasileiro está conversando com outros países afetados pela medida e estudando possibilidades de entendimento com os Estados Unidos.

"Pelo que eu pude depreender, o governo brasileiro está em contato com outros países, para estudar quais alternativas seriam mais adequadas, do ponto de vista brasileiro e até coletivo. Percebi que o governo brasileiro está perfeitamente atento a todos esses desdobramentos, está aberto para uma tentativa de entendimentos com os norte-americanos", disse Azevêdo.

Segundo ele, o Brasil não afasta a possibilidade de recorrer à própria OMC contra a medida embora a estratégia não esteja sendo adotada no momento. "Não sei se há uma determinação de recorrer ao mecanismo de solução de controvérsias da OMC. Entendo que o governo brasileiro não exclui essa possibilidade, mas estuda outras várias alternativas que estão sobre a mesa."

A tarifa adicional de 25% sobre as importações de aço e de 10% sobre as de alumínio adotadas pelo governo do presidente Donald Trump preocupam o Brasil, conforme informou o Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (Mdic). De acordo com a pasta, a restrição comercial afetará as exportações brasileiras de ambos os produtos e pode resultar em contestação nos organismos internacionais.

Em nota divulgada na semana passada, o governo afirmou que a decisão anunciada por Trump causará "graves prejuízos" ao Brasil e terá impactos "nas relações comerciais e de investimentos entre os dois países".

Ao todo, 32% do aço exportado pela indústria nacional têm como destino o mercado norte-americano, fazendo do Brasil o segundo maior exportador do produto para os Estados Unidos, atrás apenas do Canadá. O país vizinho dos EUA, inclusive, não será afetado pela nova tarifa.

Azevêdo alertou para o risco de se entrar em um cenário de retaliações. Segundo ele, é uma situação difícil de sair, uma vez iniciada. "Espero que esses entendimentos frutifiquem, que possamos evitar uma situação de 'você faz isso e portanto respondo com aquilo'. Essa escalada é difícil de reverter. Uma vez que entra nesse caminho, você sabe quando e como começa, mas não sabe nem quando nem como cessar esse processo". (ANSA) Fonte: Agência Brasil

Todos los Derechos Reservados. © Copyright ANSA