Itália recua e aceita reduzir déficit após 2019

Lei orçamentária do país foi criticada pela União Europeia

Apesar de recuo, Matteo Salvini manteve o tom agressivo com a UE
Apesar de recuo, Matteo Salvini manteve o tom agressivo com a UE (foto: ANSA)
20:55, 03 OutROMA ZLR

(ANSA) - Pressionado pela União Europeia, o governo da Itália recuou e aceitou reduzir suas metas de déficit fiscal para os próximos três anos.

Na proposta apresentada na semana passada e celebrada com festa na rua pelo antissistema Movimento 5 Estrelas (M5S), o país teria um déficit de 2,4% do PIB pelos próximos três anos, 0,8 ponto acima do exigido por Bruxelas.

Ao longo dos últimos dias, representantes da Comissão Europeia deram claros sinais de que não aprovariam a lei orçamentária italiana, devido ao risco de se aumentar a dívida pública do país, hoje em 132% do PIB.

No entanto, o ministro do Interior e vice-premier da Itália, Matteo Salvini (Liga), disse nesta quarta-feira (3) que o déficit de 2,4% valerá apenas para 2019. "Nos anos seguintes, queremos que o déficit e a dívida caiam", declarou, acrescentando que "não se importa com as ameaças da Europa".

"Sempre dissemos que neste ano faremos uma lei orçamentária corajosa para respeitar os compromissos assumidos com os italianos", disse. Já o ministro de Finanças Giovanni Tria, que era contra o aumento do déficit, reconheceu que em 2019 haverá um "descolamento dos objetivos assumidos pelo governo anterior", mas ressaltou que o governo quer reduzir o déficit gradualmente nos anos seguintes.

O recuo foi recebido positivamente em Bruxelas. "O fato de que a trajetória plurianual do déficit tenha sido revista é um bom sinal", afirmou o comissário europeu para Assuntos Econômicos, Pierre Moscovici, que antes havia alertado que as projeções não estavam de acordo com as regras da UE.

Apesar do recuo, Salvini manteve o tom agressivo com o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, que dissera que a Itália corria o risco de seguir o caminho da Grécia, país que quebrou justamente por causa de sua elevada dívida pública, hoje na casa dos 180% do PIB.

"Esse senhor é chefe de governo de 500 milhões de europeus, um senhor que chega de um paraíso fiscal como Luxemburgo. Se vocês procurarem no Google 'Juncker sóbrio ou cambaleante', verão imagens impressionantes", disse Salvini, insinuando mais uma vez que o luxemburguês é alcoólatra.

O principal objetivo do governo é usar o déficit para financiar a chamada "renda de cidadania", que pagará um subsídio para trabalhadores desempregados, e o piso de 780 euros na aposentadoria, projetos do M5S. Além disso, a Liga quer reduzir o imposto de renda para empresas e pessoas físicas. (ANSA)

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