Banco Central da Itália critica lei orçamentária do governo

Segundo instituição, crescimento não contradiz responsabilidade

Banco Central da Itália critica lei orçamentária do governo (foto: ANSA)
20:18, 09 OutROMA ZLR

(ANSA) - O Banco Central da Itália criticou nesta terça-feira (9) o projeto de lei orçamentária do governo para 2019, que prevê uma expansão do déficit fiscal para financiar o aumento das despesas públicas.

A chamada "manobra" econômica gerou temor na União Europeia, já que deve afastar o país de um caminho de redução de sua dívida pública, que está em 132% do Produto Interno Bruto (PIB) e é a segunda maior da zona do euro.

Além disso, o projeto causou uma escalada do spread entre os títulos da dívida pública da Itália e da Alemanha, o que, por consequência, aumenta os juros com os quais o Estado precisa arcar.

"Dois terços do débito italiano estão com instituições e indivíduos italianos. As oscilações de seu valor exercem efeitos em indivíduos italianos, em famílias, empresas e instituições financeiras que o detêm", declarou o vice-diretor do Banco da Itália, Luigi Federico Signorini.

Segundo ele, o aumento do spread pode inclusive reduzir a capacidade de algumas instituições financeiras oferecerem crédito no mercado. "Reduzir a lacuna de crescimento em relação à Europa é um objetivo fundamental, mas um crescimento sustentável e maior coesão social não estão em contraste com a disciplina orçamentária", acrescentou.

Além disso, Signorini disse que as medidas financiadas pelo aumento do déficit, como a renda básica de cidadania, o piso de 780 euros nas aposentadorias e a introdução da "cota 100" no sistema previdenciário, tendem a ter efeitos "conjunturais modestos e graduais".

O vice-diretor também cobrou que o governo não reverta a "Lei Fornero", a reforma previdenciária da Itália, que, em sua visão, "melhorou significativamente a sustentabilidade do sistema". A resposta coube ao ministro do Trabalho e vice-premier Luigi Di Maio, líder do antissistema Movimento 5 Estrelas (M5S).

"Se o Banco da Itália quer um governo que não mexa na Fornero, que se apresente nas eleições com esse programa. Não vamos voltar atrás", escreveu Di Maio no Twitter. A lei orçamentária deve chegar ao Parlamento nos próximos dias e precisa ser aprovada até o fim do ano. (ANSA)

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