Governo italiano aprova resgate para salvar banco em crise

Carige poderá emitir títulos com garantia do Estado

Sede do banco Carige em Roma, na Itália
Sede do banco Carige em Roma, na Itália (foto: ANSA)
16:08, 08 JanROMA ZLR

(ANSA) - O governo da Itália aprovou na noite desta segunda-feira (7) uma medida para resgatar o banco Carige, de Gênova, que vive uma grave crise financeira e está sob intervenção do Banco Central Europeu (BCE).

Em comunicado divulgado após uma reunião surpresa do Conselho dos Ministros, o governo diz que oferecerá garantias públicas para futuros títulos emitidos pela instituição financeira e para eventuais empréstimos contraídos junto ao Banco da Itália (banco central do país europeu).

Dessa forma, se o Carige não conseguir pagar os juros de seus títulos ou empréstimos futuros, o governo o cobrirá Além disso, a nota oficial cogita a hipótese de, em caso de falta de liquidez, o Estado entrar no capital do banco, por meio de uma "recapitalização".

O Carige enfrenta dificuldades desde o início da crise de 2008 e já teve alguns dirigentes condenados por fraude, mas a situação se agravou em dezembro passado, quando sua principal acionista, a família Malacalza, bloqueou um aumento de capital que serviria para pagar um empréstimo de 320 milhões de euros contraído no mês anterior.

O dinheiro foi cedido por um fundo de emergência do sistema bancário italiano, com a condição de que o Carige realizasse um aumento de capital de 400 milhões de euros.

A decisão de resgatar o banco surpreende porque os partidos hoje no governo, o antissistema Movimento 5 Estrelas (M5S) e a ultranacionalista Liga, foram os mais duros críticos de uma operação semelhante feita pela gestão anterior.

"Bastaram 10 minutos de uma reunião noturna do Conselho dos Ministros para desmentir cinco anos de insultos e mentiras contra nós. Matteo Salvini [ministro do Interior, vice-premier e secretário da Liga] e Luigi Di Maio [ministro do Trabalho, vice-premier e líder do M5S] devem apenas se envergonhar", disse o senador e ex-primeiro-ministro Matteo Renzi.

Já Salvini declarou que a medida tem como objetivo defender "poupadores", que "foram ignorados e esquecidos" pelo governo anterior. (ANSA)

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