FMI põe Itália entre maiores riscos para economia global

Fundo alertou para a alta do spread no país europeu

A diretora do FMI, Christine Lagarde, no Fórum de Davos de 2017
A diretora do FMI, Christine Lagarde, no Fórum de Davos de 2017 (foto: AP)
13:45, 21 JanDAVOS ZLR

(ANSA) - O Fundo Monetário Internacional (FMI) colocou nesta segunda-feira (21) a Itália entre os principais fatores de risco para a economia mundial em 2019, ao lado do "Brexit".

Em uma atualização de seu relatório World Economic Outlook, a entidade alerta para a alta do spread no país, índice que mede a diferença de rendimento entre os títulos da dívida pública italiana e os da Alemanha e que serve como parâmetro para avaliar a confiança do mercado - quanto maior o spread, maiores os juros e a pressão sobre a Itália.

"O spread italiano caiu desde o pico de outubro-novembro, mas continua alto. Um período prolongado de rendimentos elevados colocaria sob mais pressão os bancos italianos, pesaria sobre a atividade econômica e pioraria a dinâmica da dívida", disse o FMI, na véspera da abertura do Fórum Econômico Mundial de Davos.

O spread italiano gira em torno dos 250 pontos, mas estava abaixo dos 200 antes da posse do atual governo, em 1º de junho passado. Já a dívida pública da Itália, pouco superior a 130% do PIB, é a quarta maior do mundo, e o governo operará com déficit fiscal superior a 2% do PIB em 2019.

Outros riscos apontados pelo FMI são a possibilidade de um Brexit sem acordo entre Reino Unido e União Europeia, uma paralisia prolongada do governo dos Estados Unidos e a guerra comercial. O relatório da entidade irritou o ministro do Interior e vice-premier da Itália, Matteo Salvini, principal rosto do governo.

"A Itália é uma ameaça para a economia global? É mais o FMI que é uma ameaça para a economia mundial, uma história de receitas econômicas coroada por previsões erradas, poucos sucessos e muitos desastres", declarou. Segundo o fundo, o PIB italiano deve crescer apenas 0,6% em 2019, 0,4 ponto a menos que a projeção do governo. (ANSA)

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