Apesar de tarifas da UE, setor de tubos de aço deve crescer

UE anunciou sobretaxação de produtos siderúrgicos do Brasil

União Europeia sobretaxou produtos siderúrgicos brasileiros
União Europeia sobretaxou produtos siderúrgicos brasileiros (foto: EPA)
10:06, 02 AbrSÃO PAULO ZLR

(ANSA) - A decisão da União Europeia de impor barreiras tarifárias a produtos siderúrgicos brasileiros, anunciada em janeiro passado, levantou um sinal de alerta no setor.

Desdobramento da guerra comercial deflagrada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a medida de Bruxelas afetará sete itens da siderurgia nacional, como tubos, chapas e lâminas, que pagarão sobretaxas de 25% a partir de uma determinada cota.

A iniciativa é uma reação às barreiras ao aço internacional, sobretudo chinês, levantadas por Trump, o que acabou inundando a União Europeia com itens que teriam como destino o mercado americano.

"É um complicador, acho que a gente não sai ileso dessas decisões", diz Carlos Eduardo Baptista, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Tubos e Acessórios de Metal (Abitam), organizadora da feira Tubotech, em parceria com a Cipa Fiera Milano, marcada para 1º a 3 de outubro, em São Paulo (SP).

Atualmente, o Brasil representa 2% da produção mundial de tubos, com um total que chega a 5 milhões de toneladas por ano. Segundo Baptista, qualquer soluço no mercado mundial provoca um susto grande no país.

O mercado brasileiro conta com a presença forte de multinacionais, como a francesa Vallourec e a ítalo-argentina Tenaris, que mantêm estratégias globais e possuem fábricas em outros países. Se o produto brasileiro ficar mais caro, elas podem deslocar suas exportações para outras unidades.

"No momento em que se cria barreiras de um lado ou do outro, isso atrapalha. Acho que vamos ser impactados por essas retaliações entre os grandes países, embora quase todas as medidas possam ser colocadas na conta dessa decisão da China de colocar no mundo inteiro produto siderúrgico com preço bem abaixo do padrão comercial", diz o presidente da Abitam.

Mesmo assim, de acordo com Baptista, o setor de tubos deve voltar a apresentar sinal positivo em 2019, ainda que tímido, após um ano de crescimento inexpressivo. "Historicamente, o crescimento do setor é duas vezes o PIB, e se o governo realmente está esperando um crescimento no PIB, o mercado pode crescer também. Se crescer de 2% a 3%, vamos ficar bastante alegres", diz.

O governo e as grandes obras de infraestrutura são os principais compradores do mercado de tubos, assim como a construção civil, o segmento de óleo e gás e o setor moveleiro. "A gente prevê que esse primeiro semestre será de embate entre o governo e o Congresso para aprovar as primeiras reformas. Enquanto isso, o mercado fica em compasso de espera, embora otimista", acrescenta.

Uma das bandeiras do governo Bolsonaro é ampliar a inserção do país no comércio internacional, por meio inclusive da redução de tarifas de importação, mas o presidente da Abitam pede que isso seja acompanhado pela diminuição do "custo Brasil".

"Nós carregamos uma série de despesas que o restante dos países não carrega. Se o governo assumir o compromisso com a redução gradual das taxas de importação equivalente à redução gradual do custo Brasil, não temos motivo para nos opor. O Brasil precisa ser competitivo, mas as empresas já são", afirma. (ANSA)

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