Decreto sobre posse de armas movimenta setor de segurança

Iniciativa aumentou o público apto a manter armamentos em casa

Moradores de cidades com taxa de homicídio elevada podem ter armas em casa
Moradores de cidades com taxa de homicídio elevada podem ter armas em casa (foto: Flávio Tavares/Hoje em Dia/Futura Press)
15:00, 06 MarSÃO PAULO ZLR

(ANSA) - Assinado no dia 15 de janeiro pelo presidente Jair Bolsonaro, o decreto que regulamenta a posse de armas no Brasil pode movimentar o mercado de segurança.

O texto cumpre a promessa de campanha do capitão reformado de ampliar o direito a manter armamentos dentro de propriedades privadas. Desde janeiro, todas as pessoas que vivem em cidades com taxas de homicídio superiores a 10 para cada 100 mil habitantes têm a possibilidade de possuir armas em casa, desde que respeitando alguns requisitos, como a ausência de antecedentes criminais.

A empresa PM Cofres, por exemplo, estima um crescimento de 30% a 35% em 2019 em função do decreto, que também exige que as armas sejam guardadas dentro de "local seguro com tranca", caso haja "criança, adolescente ou deficiente mental" na residência. "Certamente [terá algum impacto], pois o novo decreto exige um local seguro para a guarda da arma. Tivemos aumento na procura de cofres para a aquisição de armas de posse após o novo decreto", diz Leandro Pimentel, gerente comercial da empresa.

Em seu site, a PM inclusive dá destaque a cofres voltados especificamente a esse segmento, como aqueles que podem ser fixados em armários e armazenar até quatro armas, o máximo permitido por lei. "Sentimos um crescimento na procura de 20% até o momento, e esse número tende a crescer nos próximos meses", acrescenta Pimentel.

Em meio às expectativas criadas no mercado, a feira internacional de segurança Exposec terá em sua edição de 2019 uma mostra dedicada exclusivamente a armamentos bélicos e produtos correlatos, a Magnum Show.

Organizado pela Cipa Fiera Milano, o evento acontece de 21 a 23 de maio, no centro de exposições São Paulo Expo, e cobrirá desde fabricantes de armas até produtores de cofres de segurança, simuladores, coldres e escolas de tiro.

Este último é outro nicho que pode ser afetado pelo decreto de Bolsonaro, já que uma das exigências para a posse é um certificado que comprove a "capacidade técnica" de manusear a arma de fogo.

Segundo Sidnei Silva, instrutor da Associação Desportiva Durval Guimarães (ADDG), de São Paulo, desde janeiro já é possível verificar um aumento na procura por cursos, embora esse movimento ainda não seja "significativo".

"O custo para se possuir uma arma de fogo não é tão baixo", explica, dando uma das razões para um crescimento da demanda ainda contido neste início de ano. De acordo com Silva, o aumento no número de alunos deve ser um processo lento, à medida em que acontecer uma "mudança comportamental da sociedade".

Ele diz que, atualmente, a procura é concentrada em empresários, médicos, executivos e profissionais liberais, uma vez que as classes mais simples "ainda dão prioridades a outras coisas", até em função do custo elevado para se comprar uma arma no Brasil.

Em alguns segmentos, no entanto, o decreto ainda não produz efeitos. "A princípio, o decreto não mexeu em nada no nosso tipo de arma", declarou Manoel Dall'Agnol Amantino, diretor-presidente da E.R. Amantino, fabricante gaúcha de armas de caça e esportivas.

O texto enquadra colecionadores, caçadores e atiradores no critério de "efetiva necessidade", mas a demora e a burocracia para se obter a certificação necessária ainda é um entrave nesse mercado. "Chega a levar até seis meses, isso desanima o pessoal", ressalta Dall'Agnol.

A elevada carga tributária também faz com que a E.R. Amantino exporte hoje 70% de sua produção, especialmente para Estados Unidos, Austrália, Canadá, Nova Zelândia e Argentina. O diretor-presidente da fabricante aponta que o decreto poderia trazer melhorias que agilizassem a venda de armamentos, reduzindo a burocracia. (ANSA)

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