Itália manda carta à UE e promete cortar despesas

País está na mira de Bruxelas por causa de déficit e dívida

Giovanni Tria com o vice-premier Luigi Di Maio
Giovanni Tria com o vice-premier Luigi Di Maio (foto: ANSA)
19:07, 31 MaiROMA ZLR

(ANSA) - O ministro das Finanças da Itália, Giovanni Tria, enviou nesta sexta-feira (31) uma carta respondendo aos questionamentos da Comissão Europeia sobre as projeções de aumento do déficit fiscal e da dívida pública do país.

O documento foi mandado a Bruxelas após um dia caótico no governo italiano, com os rumores de que Tria prometeria um corte nos gastos com o sistema de bem-estar social, o que afetaria o projeto da renda básica de cidadania e a redução da idade mínima de aposentadoria.

A carta de 58 páginas, no entanto, indica de maneira genérica que o governo está "elaborando um amplo programa de revisão das despesas correntes e da arrecadação, inclusive tributária". Tria também promete que o déficit em 2019 "será menor do que o projetado nas últimas previsões".

De acordo com dados oficiais do próprio governo, a Itália deve encerrar 2019 com um rombo de quase 50 bilhões de euros nas contas públicas, o que equivaleria a 2,4% do PIB.

No ano passado, no entanto, a Comissão Europeia rejeitou duas vezes a lei orçamentária italiana justamente por causa de uma previsão de déficit de 2,4%, aceitando, a contragosto, um rombo de "apenas" 2,04% do PIB.

Com a economia dando sinais de estagnação, as previsões oficiais acabaram piorando. "As entradas não tributárias parecem superar as previsões, e a utilização de novas políticas de bem-estar social é, até agora, inferior às estimativas", escreveu Tria.

"Por consequência, o déficit deve ficar significativamente abaixo das previsões", acrescentou. O ministro, contudo, não indicou qual deve ser o tamanho do rombo fiscal na Itália neste ano.

Crise

A carta de Tria tem como objetivo evitar a abertura de um procedimento de infração contra o país em Bruxelas, que afirmou que o governo italiano não fez "progressos suficientes" para controlar sua dívida, hoje superior a 130% do PIB e a segunda maior da zona do euro, atrás da Grécia.

Mas a crise chega no momento em que o ministro do Interior e vice-premier Matteo Salvini, fortalecido por sua vitória nas eleições europeias, tenta fazer o governo aprovar um corte de 30 bilhões de euros no imposto de renda.

A medida é vista por Salvini como essencial para reativar a economia, mas existe a preocupação de que uma renúncia fiscal dessa magnitude agrave a crise na Itália. (ANSA)

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