Agricultores italianos protestam contra acordo UE-Mercosul

Associação citou aprovação recorde de agrotóxicos no Brasil

Líderes da UE e do Mercosul anunciam acordo de livre comércio
Líderes da UE e do Mercosul anunciam acordo de livre comércio (foto: EPA)
14:25, 29 JunROMA ZLR

(ANSA) - A Confederação Nacional dos Cultivadores Diretos (Coldiretti), que representa o setor agrícola na Itália, criticou o acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul, concluído na última sexta-feira (28).

Apesar de as negociações terem durado 20 anos, a entidade diz que o tratado é fruto de um "compromisso intempestivo", já que as instituições europeias serão renovadas nas próximas semanas, como resultado das eleições comunitárias de 23 a 26 de maio.

Os termos do acordo de livre comércio ainda não foram divulgados, mas a Coldiretti diz que ele traz "evidentes criticidades para o setor agrícola".

"Depois do maior escândalo mundial de carne avariada, que envolveu o Brasil, o que preocupa é a liberalização da entrada nas fronteiras europeias de um contingente subsidiado de carne bovina e de uma significativa quantidade de aves, com graves preocupações pelo aspecto sanitário", afirma a entidade.

A Coldiretti ainda ressalta que existem "graves acusações de risco alimentar e exploração de trabalho infantil" nos quatro países do Mercosul: Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai. A associação também cita a aprovação recorde de agrotóxicos no governo Bolsonaro.

"No Brasil, desde o início do ano, foram aprovados mais 211 pesticidas [239, segundo a última atualização], muitos dos quais são proibidos na Europa", diz o comunicado, cobrando que todos os produtos em circulação na UE respeitem os mesmos critérios.

Elogio

Se os agricultores italianos estão contra o acordo, os industriais elogiaram a conclusão do tratado e afirmaram que essa é uma "belíssima notícia".

"Era importante passar essa mensagem para os principais atores envolvidos nas tensões protecionistas. Esperamos para conhecer os detalhes técnicos, mas estamos certos de que a UE saberá tutelar adequadamente alguns setores que expressaram preocupações", disse a vice-presidente da Confederação-Geral da Indústria Italiana (Confindustria), Lisa Ferrarini.

Segundo ela, o acordo proporcionará uma economia de mais de 4 bilhões de euros por ano às empresas italianas, "que mantêm relações comerciais estreitas com os quatro países [do Mercosul], especialmente Brasil e Argentina". (ANSA)

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