Queimadas na Amazônia podem 'complicar' acordo com Mercosul, diz UE

Comissária alertou para "direção errada" seguida pelo Brasil

Protesto em Bruxelas cobra fim de
Protesto em Bruxelas cobra fim de "ecocídio" na Amazônia (foto: ANSA)
12:22, 05 SetSÃO PAULO ZLR

(ANSA) - A comissária da União Europeia para Comércio, Cecilia Malmstrom, alertou nesta quarta-feira (4), em discurso em Bruxelas, que a postura do governo do Brasil em relação às queimadas na Amazônia pode "complicar" o processo de ratificação do acordo com o Mercosul.

Tida como uma das mais poderosas integrantes da Comissão Europeia, poder Executivo da UE, a sueca disse que o bloco fez questão de inserir cláusulas ambientais em tratados comerciais, como forma de obrigar os países signatários a respeitarem o Acordo de Paris sobre o Clima, firmado em 2015.

"Por isso nosso recente acordo com os quatro Estados do Mercosul é tão importante. Ele vincula esses quatro países à UE no momento em que os EUA deixaram o Acordo de Paris e encorajam outros a fazerem o mesmo", disse Malmstrom, durante evento promovido por um think tank em Bruxelas.

"No entanto, há vezes em que a evidência está bem na frente de nossos olhos. Todos nós vimos os relatórios das últimas semanas sobre os incêndios na Amazônia. Isso é profundamente preocupante, a Amazônia fornece boa parte do oxigênio mundial e precisa ser protegida", acrescentou.

Segundo a comissária de Comércio, o acordo entre União Europeia e Mercosul pode ser parte da solução para o problema. "Mas quero deixar muito claro que esperamos que o Brasil cumpra seus compromissos em termos de desmatamento. Não são apenas palavras vazias. Infelizmente, as coisas parecem ir na direção errada - e se continuar assim, isso pode complicar o processo de ratificação na Europa", alertou.

O Brasil vem sendo pressionado por países europeus por conta do aumento das queimadas na Amazônia, que em agosto atingiram o maior número para o mês desde 2010, com 30,9 mil focos de incêndio. A pressão é capitaneada pelo presidente da França, Emmanuel Macron, que já ameaçou não aprovar o acordo com o Mercosul caso o governo Bolsonaro não atue para conter o desmatamento.

Ao assinar o Acordo de Paris, em 2015, o Brasil, ainda sob a gestão de Dilma Rousseff, prometeu eliminar o desmatamento ilegal na Amazônia até 2030. (ANSA)

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