Processo de venda da Alitalia fracassa

Governo busca alternativas para maior companhia aérea do país

Alitalia está sob intervenção do governo desde 2017
Alitalia está sob intervenção do governo desde 2017 (foto: Ansa)
17:13, 26 NovROMA ZLR

(ANSA) - Após mais de dois anos de negociações, fracassou o processo conduzido pelo governo da Itália para vender a maior companhia aérea do país, a Alitalia, que está sob intervenção pública desde maio de 2017.

O prazo para a apresentação de uma oferta final era 21 de novembro, mas o consórcio liderado pela estatal Ferrovie dello Stato (FS) não conseguiu chegar a um acordo para colocar sua proposta na mesa.

O grupo de potenciais compradores também incluía a americana Delta Air Lines, o Ministério da Economia e das Finanças e a holding italiana do setor rodoviário Atlantia, que acabou desistindo na última hora.

"No momento não temos nenhuma solução de mercado. Estamos avaliando diversas opções com atenção. Não é uma prorrogação do consórcio que estava sendo formado, esse caminho não existe mais", disse o ministro do Desenvolvimento Econômico da Itália, Stefano Patuanelli, nesta terça-feira (26).

Segundo ele, a Alitalia é "muito grande para ser pequena, e muito pequena para ser grande". "O mercado tem dificuldade de aceitar seu tamanho", acrescentou. O ministro ainda disse que é preciso garantir os postos de trabalho, mas ressaltou que a companhia não pode continuar sendo um "buraco negro do caixa do Estado".

Não está descartada a hipótese de uma reestatização da Alitalia. "Estamos avaliando alternativas", afirmou o primeiro-ministro Giuseppe Conte.

Histórico

Ex-companhia aérea de bandeira, ou seja, controlada pelo Estado, a Alitalia foi privatizada e hoje tem 51% de suas ações nas mãos da holding Compagnia Aerea Italiana (CAI) e 49% com o grupo árabe Etihad Airways.

A segunda maior acionista da CAI é a estatal de correios Poste Italiane (com 19,48% de participação), que entrou no capital da Alitalia por causa de outra crise de liquidez, em 2014. Já a Ferrovie dello Stato, que liderava o consórcio de compra, é controlada totalmente pelo Ministério da Economia.

Após ter ficado à beira da falência no início de 2017, a empresa sofreu uma intervenção do governo, que fez empréstimos públicos que totalizam mais de 1 bilhão de euros para garantir sua sobrevivência. O dinheiro seria restituído quando a companhia aérea fosse vendida, algo que não está mais no horizonte de curto prazo.

Roma chegou a negociar com grupos como Lufthansa e EasyJet e o fundo americano Cerberus Capital Management, além de Delta e Atlantia, mas as tratativas nunca avançaram até o fim. Um dos entraves é o plano de demissões na Alitalia: a Lufthansa, por exemplo, queria fazer um corte de 6 mil funcionários, mais da metade do total. (ANSA)

Todos los Derechos Reservados. © Copyright ANSA