Itália destina até 900 milhões de euros para salvar banco

Chanceler quer nacionalizar instituição financeira em Bari

Luigi Di Maio defende nacionalizar banco em Bari
Luigi Di Maio defende nacionalizar banco em Bari (foto: ANSA)
11:33, 16 DezROMA ZLR

(ANSA) - O governo da Itália aprovou neste domingo (15) um decreto que destina até 900 milhões de euros para salvar da falência a Banca Popolare di Bari, um dos maiores bancos do sul do país.

Durante uma reunião em Roma, o Conselho dos Ministros decidiu repassar essa quantia em 2020 para o Mediocredito Centrale, banco controlado pelo Ministério da Economia e das Finanças e que comprará ações da Banca Popolare di Bari.

Segundo o decreto, o Mediocredito Centrale usará esse dinheiro para "apoiar empresas" do sul do país, "inclusive por meio da aquisição de participações no capital de sociedades bancárias e financeiras". O governo também pretende criar um banco de investimentos.

"O governo está ao lado dos poupadores e dos funcionários da Banca Popolare di Bari e das empresas financiadas por ela", disse neste domingo o ministro da Economia Roberto Gualtieri (PD).

Na sexta-feira passada (13), o Banco da Itália (banco central do país) já havia anunciado uma intervenção na instituição financeira, que enfrenta uma grave crise devido à elevada presença de créditos deteriorados (empréstimos que dificilmente serão pagos) em sua carteira - cerca de 15% do total.

A Banca Popolare di Bari encerrou 2018 com prejuízo de 420 milhões de euros e se tornou mais um protagonista da crise que afeta diversos bancos populares italianos. Esse tipo de instituição financeira é constituído como sociedade cooperativa, onde cada sócio não pode ter mais de 0,5% do capital.

Mas problemas de gestão colocaram os bancos populares no centro de uma crise que ronda todo o sistema bancário italiano, principalmente devido à elevada presença de créditos deteriorados em suas carteiras.

Para salvar essas instituições, os últimos governos usavam o "bail-in", resgate que é feito com o dinheiro dos próprios investidores e acionistas. Nesse modelo, a parte saudável do banco é vendida, enquanto os créditos deteriorados são transferidos a um "bad bank", uma espécie de lixeira para abrigar os prejuízos e tentar vender os ativos podres a fundos especializados em recuperar esses investimentos.

Esse método, no entanto, sempre foi criticado pelo antissistema Movimento 5 Estrelas (M5S), principal partido do atual governo, já que o "bail-in" coloca em último lugar na fila de pagamento as aplicações em "obrigações subordinadas", ativos que, apesar de seu alto risco, foram vendidos a milhares de poupadores comuns e sem experiência financeira.

Agora no poder, o M5S preferiu uma intervenção mais direta do governo. "Se o Estado tiver de colocar dinheiro para salvar contas correntes, devemos fazer de modo que o banco seja nacionalizado", disse o chanceler Luigi Di Maio, líder do partido, no último domingo. (ANSA)

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