Decreto abre caminho para governo reestatizar Alitalia

Texto prevê até 500 milhões de euros para o setor aéreo em 2020

Alitalia está sob intervenção do governo há três anos
Alitalia está sob intervenção do governo há três anos (foto: Ansa)
12:00, 18 MarROMA ZLR

(ANSA) - O governo da Itália publicou nesta quarta-feira (18) um decreto que abre caminho para a reestatização da Alitalia, maior companhia aérea do país e que está sob intervenção pública desde maio de 2017.

Proposto pelo primeiro-ministro Giuseppe Conte, o texto recebeu o apelido de "Cura Itália" e prevê medidas de 25 bilhões de euros, pouco mais de 1% do PIB nacional, para socorrer a economia dos efeitos provocados pela pandemia do novo coronavírus.

O decreto destina até 500 milhões de euros apenas em 2020 para ajudar o setor aéreo e, entre outras coisas, autoriza a "constituição de uma nova sociedade inteiramente controlada pelo Ministério da Economia e das Finanças, ou controlada por uma sociedade de participação pública majoritária, ainda que indireta", para assumir a Alitalia.

Ex-companhia de bandeira, a empresa é controlada hoje pela holding Compagnia Aerea Italiana (CAI), com 51% das ações, e pelo grupo árabe Etihad Airways, com 49%, mas sua administração está a cargo do governo há quase três anos por causa de uma crise de liquidez que a deixou à beira da falência.

A possibilidade de reestatização foi oficializada após a União Europeia ter flexibilizado as regras para ajudas estatais a companhias privadas, como forma de combater os efeitos da pandemia do novo coronavírus na economia.

O processo de venda da Alitalia está paralisado, e a crise global no setor aéreo deve inviabilizar a apresentação de novas ofertas. A companhia italiana emprega mais de 11 mil pessoas e é considerada estratégica pelo governo, que tem utilizado seus aviões para repatriar cidadãos bloqueados no exterior pela pandemia.

"Essa experiência nos ensina que uma companhia nacional é estratégica para o destino de nosso país. Essa experiência confirmará que precisamos de nossa companhia de bandeira", disse a ministra da Infraestrutura e dos Transportes da Itália, Paola De Micheli, nesta terça-feira (17). (ANSA)

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