Países do norte rechaçam proposta franco-alemã para UE

Merkel e Macron querem criar fundo de 500 bilhões de euros

Sebastian Kurz lidera oposição a proposta franco-alemã na Europa
Sebastian Kurz lidera oposição a proposta franco-alemã na Europa (foto: EPA)
09:28, 20 MaiBOLZANO ZLR

(ANSA) - Os governos de Áustria, Dinamarca, Países Baixos e Suécia anunciaram nesta quarta-feira (20) que farão uma contraproposta para o plano de Alemanha e França que prevê a criação de um fundo de 500 bilhões de euros para tirar a União Europeia da crise provocada pela pandemia do novo coronavírus.

Os quatro Estados-membros criticam o projeto franco-alemão pelo fato de ele se basear na emissão de títulos de dívida comunitários garantidos pela UE para financiar o fundo, que, dessa forma, conseguiria dinheiro no mercado a juros mais baixos do que se alguns países, como Itália, Grécia, Espanha e Portugal, o fizessem individualmente.

Os recursos seriam repassados aos Estados-membros em dificuldades econômicas por causa da pandemia e pagos pela Comissão Europeia com o orçamento comunitário, que é o conjunto das contribuições financeiras de cada país.

No entanto, Áustria, Dinamarca, Países Baixos e Suécia defendem que os recursos levantados pela Comissão Europeia sejam distribuídos aos Estados-membros sob a forma de empréstimos.

"Nos próximos dias, apresentaremos uma proposta com uma série de ideias. Estamos convencidos de que a retomada da economia europeia seja possível sem uma comunitarização das dívidas", disse o chanceler austríaco, Sebastian Kurz.

"Queremos ser solidários com os Estados atingidos duramente pela crise, mas acreditamos que o caminho certo seja o dos empréstimos, e não o das contribuições", acrescentou. Já o primeiro-ministro da Itália, Giuseppe Conte, que declarou apoio à proposta franco-alemã, disse que não pede "generosidade" à União Europeia, mas sim "responsabilidade".

"Alguns países europeus continuam pressionando por um orçamento comum e um fundo de recuperação modesto. Estou convencido de que essa posição reflete a incapacidade de compreender os desafios históricos que enfrentamos", disse o premiê em um artigo publicado no site "Politico".

A proposta de França e Alemanha reúne as duas maiores economias da UE, mas ainda dependerá do aval dos outros 25 Estados-membros. (ANSA)

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