As jovens brasileiras que sonham em correr na F1 pela Ferrari

Duas pilotas estão na final de uma iniciativa elaborada pela FIA

Antonella Bassani tem 14 anos e é uma das finalistas da iniciativa
Antonella Bassani tem 14 anos e é uma das finalistas da iniciativa (foto: Divulgação / Foto: Jackson de Souza)
13:27, 24 JulSÃO PAULO ZRS

(ANSA) - Por Renan Tanandone - As brasileiras Antonella Bassani, de 14 anos, e Júlia Ayoub, de 15, estão entre as 20 adolescentes que vão disputar a fase final do programa FIA Girls On Track - Rising Stars, iniciativa que tem como objetivo descobrir jovens talentos femininos no automobilismo e que dará uma vaga na Academia de Pilotos da Ferrari.

A final do projeto, que é promovido pela Federação Internacional do Automobilismo (FIA), com apoio da escuderia italiana, será realizada no circuito de Paul Ricard, na França, em outubro. As competidoras têm entre 12 e 16 anos de idade, e a vencedora terá a oportunidade de ingressar na Fórmula 4, uma das categorias de acesso para a Fórmula 1.

Em entrevista à ANSA, Bassani revelou ter ficado "emocionada" quando descobriu que estava entre as 20 finalistas. A catarinense, que pilota kart desde os cinco anos, teve influência do pai no início da carreira. Apesar de um acidente quase ter colocado ponto final em seu sonho, ela não desistiu e hoje almeja chegar na F1.

O acidente aconteceu em 2013, quando Bassani tinha sete anos, durante uma prova da categoria mirim. Após o fim da corrida, a pilota foi surpreendida por um dos competidores, que desacelerou o kart para celebrar a vitória. Ao bater nele, o kart da catarinense capotou mais de uma vez, e ela sofreu sérias lesões, principalmente no pulmão.

Bassani foi encaminhada para o hospital, onde ficou uma semana na UTI, e permaneceu longe das práticas esportivas por seis meses. Ela até tentou outras modalidades, mas a paixão pelo automobilismo falou mais alto.

"Foi emocionante [ir para a final do concurso da FIA]! A primeira coisa que me veio na cabeça foi a luta que eu tive durante todos esses anos no kart. Quantas horas de viagem para competições que eu e minha família fizemos, quantas corridas em que eu sofri com o machismo de alguns pilotos e, principalmente, quantas experiências que me fizeram ser a pilota que sou hoje", disse Bassani.

A pilota relembrou um episódio de machismo no início de sua trajetória no kart, quando um grupo de competidores se uniu para tentar tirá-la da corrida.

"O automobilismo sempre foi um esporte de menino, mas minha adaptação foi boa. Eu aprendi que se eles 'batem' na gente, temos de devolver. Descobri uma vez que eles se reuniam para me tirar da corrida. Mas as mulheres estão ganhando cada vez mais espaço no automobilismo", declarou.

Já a paulistana Ayoub, campeã da edição de 2020 da categoria Womam Series no troféu Ayrton Senna, também revelou à ANSA ter ficado muito alegre quando descobriu que estava na final do programa.

"Fiquei muito feliz quando soube que havia sido selecionada. Isso é a representação de todo o meu esforço e dedicação até agora", contou a pilota, que começou no kart aos 11 anos.

Segundo Ayoub, seu pai sempre foi apaixonado por esportes a motor e correu no kart quando era jovem. Ele levou a filha, então com 11 anos de idade, para fazer um treino em 2016, e ela não parou mais.

Ferrari

Bassani, que já disputou torneios dentro e fora do Brasil, comentou sobre a possibilidade de um dia guiar uma Ferrari e destacou que entrar na academia da escuderia italiana deixaria mais próximo o sonho de chegar na principal categoria do automobilismo mundial.

"Deve ser incrível! Eu estou sempre ligada no meu simulador, e se já é divertido no virtual, imagina só na realidade, deve ser uma experiência única. Se eu entrar na academia, com certeza essa chance irá me proporcionar um conhecimento incrível sobre muitas coisas. O meu sonho de chegar à F1 ficará cada vez mais perto, e a minha esperança vai crescer a cada dia mais", contou Bassani, que também revelou se espelhar em pilotos como Ayrton Senna, Charles Leclerc e Lewis Hamilton.

Suas palavras encontram eco em Ayoub. "É um sonho fazer parte da academia, não consigo nem descrever como é me imaginar pilotando um carro da escuderia italiana. E fazer parte desse time com certeza muda a vida de qualquer piloto, pois carregar consigo esse nome requer muita dedicação sempre. A Ferrari é um time muito importante", afirmou.

Atualmente, a Ferrari tem dois brasileiros na sua academia de pilotos: Enzo Fittipaldi, que disputa a Fórmula 3, e Gianluca Petecof, que corre na Fórmula Regional. O irmão de Charles Leclerc, Arthur, e Mick Shumacher, filho do heptacampeão de F1, Michael Schumacher, também integram a equipe. (ANSA).
   

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