(Entrevista) Nova geração de ouro traz esperança a Colômbia

Especialista diz que pacificação ajudou o surgimento de talentos

Nova geração de ouro traz esperança a Colômbia
Nova geração de ouro traz esperança a Colômbia (foto: EPA)
20:02, 04 JulSÃO PAULO Por Sarah Germano e Ana Ferraz

(ANSA) - A seleção colombina de futebol não é muito tradicional. Sua maior conquista em Copas do Mundo aconteceu em 1990, quando chegou apenas às oitavas de final.
     Mais de 20 anos mais tarde, após duas décadas de atuações inexpressivas da Colômbia, não fosse o título conquistado na Copa América de 2001, o time volta surpreender. Mesmo sem o craque Radamel Falcao García, que sofreu um rompimento nos ligamentos do joelho esquerdo, o time chegou às quartas de final da Copa.
    O especialista em futebol e autor do livro "Os Números do Jogo - Por que o que você sabe sobre futebol está errado", David Sally, disse que o surgimento da "nova geração de ouro" pode estar ligado ao processo de paz dentro do país.
    Um dos episódios principais desta época, marcada pela atuação dos cartéis, como o liderado por Pablo Escobar, e das guerrilhas como as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), talvez seja a morte de Andrés Escobar. Ele foi alvo de 12 tiros quando deixava uma discoteca em Medellín, poucos dias após os Cafeteros deixarem a competição em jogo que ele fez um gol contra. Versões não oficiais apontam que Humberto Muñoz Castro, que trabalhava como segurança no local e era motoristas de chefes do tráfico, teria aberto fogo contra o jogador a pedido de Pablo Escobar - que teria perdido bastante dinheiro em apostas.
    "Não existe dúvidas de que a prosperidade e a estabilidade de um país está ligada com a qualidade de sua seleção. Jovens que estão carregando rifles ou contrabandeando quilos de drogas não estão melhorando suas habilidade futebolísticas", apontou o especialista.
    Sallay ainda destacou, no entanto, que o aperfeiçoamento da seleção aconteceu fora das fronteiras colombianas. "Em 1994, a seleção da Colômbia tinha somente dois jogadores, Valencia e Asprilla, jogando na Europa, e somente Mondragón e Rincón jogando em clubes da América do Sul fora do país. Neste ano, apenas três atletas jogam em times da Colômbia", apontou o especialista. E os colombianos voltam a ter esperanças de um título, após ficarem de fora da Copa desde 1998. O jovem colombiano Sergio Lozano disse, em entrevista à ANSA, que não é muito comum no país que as pessoas fiquem tão animadas, porque "a Colômbia quase nunca teve grandes participações em Copa como agora".
    Para ele, não tem comparação entre a antiga era de sucesso e a nova. Conhecida como a "geração de ouro" dos Cafeteros, a equipe que participou dos mundiais da Itália e dos Estados Unidos, 1990 e 1994, respectivamente, trazia nomes de peso como Andrés Escobar, Carlos Valderrama, Freddy Rincón e René Higuita.
    "Nem meu avô que tem mais experiência falou que podia se comparar essa a alguma seleção outra de antes. A seleção de hoje é incomparável. Temos James Rodriguez, Armero e Ospina. Além disso, temos um ótimo treinador. Demos sorte de juntar jogadores bons com um ótimo treinador". "É o melhor time que a Colômbia já teve, literalmente", e existe grande chance de vencer o Brasil. "A equipe está jogando muito bem e não está sofrendo para ganhar", como acontece com a seleção canarinho, disse. Sobre o título da Copa, Lozano diz ter esperança, "mas passar o Brasil já é algo histórico". (ANSA)

Propaganda retrata expectativa dos torcedores colombianos:

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