Itália para na Suécia e fica fora da Copa pela 1ª vez em 60 anos

Seleções empataram por 0 a 0 no estádio San Siro, em Milão

Itália para na Suécia e fica fora da Copa pela 1ª vez em 60 anos (foto: ANSA)
21:32, 13 NovMILÃO ZLR

(ANSA) - Pela terceira vez na história e pela primeira em 60 anos, a tetracampeã Itália está fora da Copa do Mundo. Depois de duas eliminações seguidas na fase de grupos do torneio, a Azzurra caiu perante a Suécia na repescagem da Europa para o Mundial de 2018.

Após a derrota por 1 a 0 em Solna, a Itália voltou a mostrar pouco poder ofensivo e, em meio às contestadas escolhas do técnico Gian Piero Ventura, não saiu do 0 a 0 com a Suécia em um San Siro com mais de 70 mil pessoas, que presenciaram um dos maiores vexames da história do futebol italiano.

A Azzurra teve amplo domínio sobre os suecos, com cerca de 75% de posse de bola, mas criou poucas chances claras de gol, sendo as duas principais no fim do segundo tempo, em um belo chute de El Shaarawy e em uma cabeçada de Parolo.

O goleiro Gianluigi Buffon, que fez sua última partida oficial pela seleção, pouco trabalhou, porém o ataque italiano se mostrou ineficaz, muito em função das escolhas de Ventura.

Depois de muita pressão e da suspensão de Verratti, o treinador começou a partida com o meio-campista ítalo-brasileiro Jorginho, destaque do Napoli na temporada, mas não cedeu em relação a Lorenzo Insigne, principal atacante do time que lidera o Campeonato Italiano.

Ventura preferiu começar a partida com Immobile e o contestado Gabbiadini no comando de ataque e com Candreva, que não vive boa fase na Inter de Milão, na ponta direita. Ao substituir para tentar o gol na segunda etapa, apostou no centroavante Belotti, que volta de contusão, e nos meia-atacantes El Shaarawy, reserva da Roma, e Bernardeschi, reserva da Juventus.

Com 69 anos, Ventura foi contratado para substituir Antonio Conte após a boa campanha da Itália na Eurocopa de 2016, mas não convenceu em nenhum momento. Com um time pragmático e preterindo os destaques do Napoli, era alvo frequente de críticas da imprensa e da torcida e não deve continuar à frente da Azzurra.

Em sua carreira de treinador, passou por times como Napoli, Hellas Verona, Cagliari, Udinese e Torino, mas nunca conquistou um título de expressão.

Campanha

A possibilidade de a Itália ficar fora da Copa já havia começado a se desenhar no sorteio dos grupos das Eliminatórias, quando a tetracampeã caiu na mesma chave da Espanha, sendo que só a primeira colocada garantia vaga direta na Rússia.

Os dois países ficaram empatados até a sétima rodada, quando, em duelo em Madri, a "Roja" superou a Azzurra facilmente por 3 a 0 e garantiu a primeira posição no grupo G - a chave terminaria com a Espanha na frente, com 28 pontos, cinco a mais do que a Itália.

O sorteio da repescagem também não foi generoso, já que a Suécia eliminara a Holanda no grupo A, mas a seleção italiana era franca favorita para o duelo. "Lamento não por mim, mas pelo movimento, porque fracassamos, até em nível social [a classificação] podia ser importante. Lamento que minha última partida oficial pela seleção tenha coincidido com a eliminação", declarou um emocionado Buffon após o confronto no San Siro.

A Itália não ficava fora da Copa desde 1958, quando foi superada pela Irlanda do Norte nas Eliminatórias. A outra ausência da Azzurra ocorreu na primeira edição do torneio, em 1930, quando muitos países europeus escolheram não viajar ao Uruguai.

Com 29 seleções já confirmadas na Rússia, a Itália será a única campeã mundial que ficará em casa. As três vagas restantes serão definidas nos duelos de volta da repescagem entre Irlanda e Dinamarca, Peru e Nova Zelândia e Austrália e Honduras.

Demissão

O técnico Gian Piero Ventura disse que não se demitiu do cargo porque ainda não conversou com o presidente da Federação Italiana de Futebol (Figc), Carlo Tavecchio.

Segundo o treinador, ele ainda precisa falar com a entidade antes de formalizar sua renúncia. "Não me demiti porque não falei com o presidente. Há muitas considerações para fazer", declarou Ventura, que assumiu a responsabilidade pelo vexame, com alguma relutância.

"A responsabilidade é do treinador, é até banal dizê-lo. Foi um resultado muito duro, estava convencido de que conseguiria", acrescentou. Já Tavecchio pretende ter "48 horas de reflexão", de acordo com fontes da Figc, antes de comentar o resultado. (ANSA)

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