Saída do Reino Unido da UE pode afetar futebol

Clubes não poderão comprar atletas europeus menores de 18 anos

Saída do Reino Unido da UE pode afetar futebol
Saída do Reino Unido da UE pode afetar futebol (foto: EPA)
14:06, 31 JanSÃO PAULO ZRS

(ANSA) - O Reino Unido deixará a União Europeia (UE) nesta sexta-feira (31), após três anos e meio de debates. Além das mudanças sociais, econômicas e políticas, a saída poderá impor alterações também no meio esportivo, principalmente no futebol.

Atualmente, o Campeonato Inglês é a liga de futebol mais rica do planeta e uma das mais competitivas. A Premier League, que comanda a principal divisão do país, teme que o Brexit possa prejudicar o status do torneio e fazer os clubes britânicos terem dificuldades em ser competitivos nas competições europeias, como a Liga dos Campeões.

Por outro lado, The Football Association (FA), que rege o futebol na Inglaterra, acredita que o divórcio do Reino Unido com a UE aumentará o número de jogadores ingleses na Premier League, elevando as chances de revelar bons jovens atletas para a seleção do país.

O Liverpool, atual líder da Premier League, entrou em campo nesta quarta-feira (29) para enfrentar o West Ham e venceu o rival londrino por 2 a 0. Entre os 11 titulares, as duas equipes iniciaram o confronto com apenas quatro atletas ingleses.

Na rodada passada do torneio, as equipes do Manchester City (Raheem Sterling), do Arsenal (Bukayo Saka) e do Wolverhampton (Conor Coady) entraram em campo com apenas um atleta inglês entre os titulares.

Após o Brexit, os clubes ingleses não deverão poder contratar atletas com menos de 18 anos de países da UE. Antes do divórcio, a regra permitiu, por exemplo, que o francês Paul Pogba, do Manchester United, assinasse pela primeira vez com os Red Devils aos 16 anos de idade.

Apesar de ainda não ter um acordo entre o governo britânico, a FA e a Premier League, os cidadãos europeus deverão necessitar de um visto para trabalhar no Reino Unido, bem como os atletas que não nasceram na Europa.

Uma das propostas da FA é que o processo de documentação de jogadores não comunitários sejam mais simples. Além disso, a entidade quer que os times ingleses tenham no máximo 13 jogadores - atualmente são 17 - criados no exterior em equipes de 25 atletas.

"Concordamos com a FA que nenhuma parte do Brexit deve prejudicar as perspectivas da equipe inglesa ou o sucesso da Premier League. Estamos discutindo essa questão com a FA e continuaremos trabalhando juntos para alcançar um resultado que aprimore o apelo da Premier League, garantindo ao mesmo tempo que os melhores talentos locais continuem a prosperar e melhorar", disse um porta-voz da Premier League, citado pelo jornal "Daily Mail".

A impossibilidade de trazer atletas de menos de 18 anos faz a principal divisão da Inglaterra acreditar que deixará o campeonato mais fraco. As novas regras, que deverão afetar o futebol do país somente a partir de 2021, facilitaria jovens promessas a irem para clubes de outras nações.(ANSA)

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