Senado da Itália aprova projeto que prevê reforma do Coni

Iniciativa teve 154 a favor e 54 contras, além de 52 abstenções

COI envia carta ao Coni expressando 'preocupação' com reforma
COI envia carta ao Coni expressando 'preocupação' com reforma (foto: ANSA)
13:06, 06 AgoROMA ZRS

(ANSA) - O Senado da Itália aprovou definitivamente nesta terça-feira (6) o projeto de lei que prevê a reforma do Comitê Olímpico Nacional Italiano (Coni). A iniciativa contou com 154 votos a favor e 54 contras, além de 52 abstenções.

No entanto, o Comitê Olímpico Internacional (COI) enviou uma carta ao presidente do Coni, Giovanni Malagò, em que expressa "séria preocupação" com a iniciativa.

O projeto, que está a cargo do subsecretário da Presidência do Conselho dos Ministros, Giancarlo Giorgetti, visa retirar do Coni a prerrogativa de distribuir entre as federações esportivas italianas os recursos públicos repassados à entidade anualmente.

A proposta vem causando uma revolta no mundo esportivo do país europeu e abriu uma crise entre atletas e dirigentes e o partido nacionalista Liga Norte, promotor da iniciativa e do qual faz parte do vice-premier e ministro do Interior, Matteo Salvini.

Em Lausanne, sede do COI, a entidade estudou o texto da reforma e declarou que a lei "afetaria claramente a autonomia do Coni" em seis pontos. Além disso, a organização liderada por Thomas Bach poderá "suspender ou retirar o reconhecimento" da entidade italiana.

"As organização esportivas pertencentes ao movimento olímpico têm o direito e a obrigação de autonomia, incluindo a livre determinação e controle das regras do esporte, a definição de estrutura e governança. Os comitês olímpicos podem cooperar com os governos, mas não devem tomar medidas contrárias à Carta Olímpica", escreveu o COI.

Segundo o líder da Liga no Senado, Massimiliano Romeo, "as emendas serão votadas independentemente de cartas". Já fontes majoritárias declararam que ficaram surpresas com a carta do COI, mas disseram que a cobrança da entidade internacional foi "um pouco precipitada".

Entretanto, o COI deu sua resposta e declarou que Bach já teria mandado um aviso ao primeiro-ministro da Itália, Giuseppe Conte, no dia 24 de junho, antes da votação para a escolha da sede dos Jogos de Inverno de 2026, em Milão e Cortina d'Ampezzo.

Caso o Coni receba uma suspensão do COI, as duas principais consequências para a Itália seriam a perda das Olimpíadas de Inverno e a exclusão do país nos Jogos Olímpicos de Tóquio, no Japão.

A proposta da reforma já passou pela Câmara e no momento está sendo examinada pelo Senado do país.(ANSA)

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