Itália relembra vítimas de massacre na ex-Iugoslávia

Milhares de italianos foram mortos pelas tropas do marechal Tito após o fim da 2ª Guerra Mundial.

Vítimas italianas das tropas de Tito eram jogadas com ou sem vida em buracos no solo (foto: ANSA)
14:50, 10 FevSÃO PAULO ZLR

(ANSA) - Em meio a forte comoção e diversos episódios de contestação, a Itália relembrou nesta segunda-feira (10) um dos mais tristes acontecimentos relacionados à sua participação na Segunda Guerra Mundial, o Massacre das Foibe. Após o encerramento do conflito, em 1945, milhares de pessoas que se opunham à anexação da região de Friuli-Veneza Giulia pela ex-Iugoslávia foram assassinados pelo Exército do marechal Josip Broz Tito, então primeiro-ministro da nação eslava. Inicialmente, a perseguição atingiu apenas fascistas e anti-comunistas, mas logo se estendeu para todos os italianos.
    As vítimas eram jogadas com ou sem vida em buracos formados pela ação da água sobre o solo, que são chamados no país de "foibe". "Essa é uma das páginas mais tristes vividas pelo nosso país e pelo nosso povo. A Itália não quer apagar e esquecer nada, nem o sofrimento infligido às minorias nos anos do fascismo e da guerra, nem aquele aplicado a milhares e milhares de italianos", afirmou o presidente do Senado, Pietro Grasso, em um pronunciamento acompanhado pelo premier Enrico Letta e pelo presidente Giorgio Napolitano.
    No entanto, grupos que negam a existência do massacre aproveitaram a ocasião para atacar monumentos em memória das vítimas. Em Veneza, um memorial foi pintado de vermelho e pichado com um martelo e uma foice, símbolos do comunismo. Já em Roma, um marco em homenagem aos mortos foi coberto com tinta branca.
    Estimativas apontam que de 5 mil a 17 mil italianos morreram durante a perseguição. A maioria deles residia na cidade de Trieste e nas regiões da Ístria e da Dalmácia, hoje pertencentes à Croácia. Além dos assassinatos, as Forças Armadas da Iugoslávia deportavam aqueles que não queriam renunciar aos próprios costumes para aderir ao modo de vida imposto pelo regime de Tito. O êxodo só foi terminar na década de 1960.
    Por muito tempo a tragédia foi ignorada pela classe dirigente italiana, mas em 2004 foi instituído o Dia da Lembrança, data para recordar as vítimas do massacre, celebrada todos os anos em 10 de fevereiro. (ANSA)

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