Governo cobra 1,2 bilhão de euros de Roche e Novartis

Companhias farmacêuticas teriam causado prejuízos ao país

O Ministério da Saúde da Itália, chefiado por Beatrice Lorenzin, acusa as companhias de formar cartel (foto: ANSA)
09:40, 29 MaiROMA ZLR

(ANSA) - O Ministério da Saúde da Itália pediu um ressarcimento de 1,2 bilhão de euros (R$ 3,6 bilhões) às companhias farmacêuticas Novartis e Roche por elas terem formado um cartel para dificultar a comercialização de um remédio econômico em favor de outro muito mais caro, embora ambos sejam semelhantes. O caso começou em 2004, quando pesquisadores da Genentech, subsidiária da Roche, desenvolveram um medicamento antitumoral chamado bevacizumab, que foi colocado no mercado sob o nome Avastin. No entanto, descobriu-se que ele poderia também ser útil para curar uma série de doenças que atingem a vista, principalmente de idosos, como a maculopatia e retinopatia diabéticas.
    Pouco depois, a empresa se baseou nessa fórmula para criar o remédio ranibizumab, chamado comercialmente de Lucentis e dedicado exclusivamente a patologias oculares. Os dois são basicamente iguais, com exceção do preço: uma injeção desse último pode custar mais de US$ 2 mil (R$ 4,5 mil), enquanto a do Avastin sai por cerca de US$ 40 (R$ 90). Esse remédio mais caro é vendido nos Estados Unidos pela Genentech, enquanto no resto do mundo está sob licença da Novartis. Segundo o órgão antitruste italiano, as duas companhias entraram em acordo para desencorajar o uso do fármaco mais barato no combate a doenças nos olhos, incentivando a utilização do Lucentis. Para isso, em nenhum momento as empresas pediram para que os EUA e a Europa reconhecessem o Avastin como um medicamento capaz de tratar a degeneração da vista.
    "Houve um acordo horizontal com o objetivo de beneficiar a comercialização do Lucentis, muito mais caro que o Avastin, mesmo eles sendo equivalentes", diz um comunicado do Ministério da Saúde da Itália. O valor da multa refere-se aos prejuízos causados ao sistema sanitário do país desde 2012.
    As duas companhias qualificaram o pedido de ressarcimento como "infundado" e "irreal". (ANSA)

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