Bundesbank ataca Itália, que revida: 'Não temos medo'

Banco central alemão criticou o premier italiano, Matteo Renzi

Matteo Renzi quer flexibilizar as normas europeias e está sendo criticado por alemães
Matteo Renzi quer flexibilizar as normas europeias e está sendo criticado por alemães (foto: ANSA)
10:56, 04 JulROMA ZLR

(ANSA) - A cada dia que passa, parece se intensificar a batalha do premier italiano, Matteo Renzi, contra a austeridade defendida pela Alemanha na União Europeia. Após ser criticado pelo líder de bancada do Partido Popular Europeu (PPE), Manfred Weber, por pedir mais flexibilidade nas normas do bloco, o primeiro-ministro foi atacado pelo presidente do Bundesbank - o banco central alemão -, Jens Weidmann.
    "O premier italiano diz que a fotografia da Europa é o rosto do cansaço e nos fala o que devemos fazer... As reformas devem ser feitas, e não anunciadas. E aumentar o endividamento não é um pressuposto para o crescimento", declarou o banqueiro, fazendo referência à elevada dívida pública da Itália, que gira em torno dos 130% do Produto Interno Bruto (PIB). No entanto, o Pacto de Estabilidade e Crescimento (PEC) da UE obriga os seus países-membro a manter essa relação em, no máximo, 60%.
    Além disso, Renzi disse em seu discurso de abertura do semestre de presidência italiana no bloco, pronunciado na quarta-feira (2), que se a Europa fizesse um "selfie", enxergaria apenas um rosto cansado, com expressão de tédio. O primeiro-ministro também declarou que a União precisa "reencontrar a sua essência" e promover o crescimento econômico, desburocratizando o sistema e promovendo reformas.
    Mas a reação do governo italiano não foi menos dura: "Se o Bundesbank pensa que nos assusta, errou de país. Aliás, seguramente errou de governo", disseram fontes do Palácio Chigi, sede do gabinete do premier. O pronunciamento de Renzi já havia sido criticado anteriormente por Manfred Weber no Parlamento Europeu. Na ocasião, o líder do conservador PPE, que tem a maior bancada da Casa, afirmara que o endividamento não cria futuro, apenas o destrói, e se questionou: "A Itália tem 130% de débito, onde ela pega dinheiro?".
    Assim como ao banco central alemão, a resposta do primeiro-ministro veio no mesmo tom: "Erra quem levanta a arma do preconceito contra a Itália. Não aceitaremos lições de moral de ninguém". Há três dias na presidência rotativa da União Europeia, Renzi ainda terá que trabalhar muito para mudar rapidamente um bloco conhecido pela lentidão. Mas o premier já mostrou que pelo menos barulho ele vai provocar. (ANSA)

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