Ministro do Interior avança contra casamento gay

Alfano não quer que uniões celebradas no exterior sejam aceitas

O ministro do Interior Angelino Alfano lidera um pequeno partido de centro-direita essencial para a manutenção do premier Matteo Renzi no poder (foto: EPA)
12:50, 08 OutROMA ZLR

(ANSA) - Líder da Nova Centro-Direita (NCD), partido que integra a coalizão do premier centro-esquerdista Matteo Renzi, o ministro do Interior da Itália, Angelino Alfano, prometeu agir contra a aceitação no país de casamentos entre pessoas do mesmo sexo contraídos no exterior.
    Contrário às uniões homossexuais - que não são autorizadas pela lei italiana -, ele disse que enviará a todos os administradores de províncias uma circular exigindo que eles "convidem" os prefeitos que concordaram em transcrever tais matrimônios em suas cidades a cancelar essas disposições.
    "O ponto é um só: a transcrição de casamentos celebrados no exterior entre pessoas do mesmo sexo não está em conformidade com as leis italianas", declarou o político conservador. Alfano também disse que "atos ilegitimamente adotados" serão revogados, caso os próprios prefeitos não o façam.
    A resposta contra a posição do ministro foi imediata. Matteo Orfini, presidente do Partido Democrático (PD) - o mesmo de Renzi -, afirmou que o líder da NCD deve se preocupar em tornar possível o casamento de homossexuais na Itália, ao invés de anular a transcrição dos matrimônios contraídos em outras nações.
    Já o prefeito de Bologna, Virginio Merola, se recusou a cancelar uniões entre pessoas do mesmo sexo no município. "Se querem anular as transcrições, que o façam, mas eu não retiro minha assinatura. Podem fazer, mas não no nome de Bologna, que eu represento. Não obedecerei", ressaltou.
    Fazendo eco à posição de Merola, o prefeito suspenso de Nápoles, Lugi De Magistris, lamentou a decisão de Alfano e disse que ela contrasta com a "Constituição republicana e as liberdades civis" da Itália.
    "Vi muita polêmica ideológica sobre uma decisão minha que diz respeito apenas ao cumprimento da lei. Eu só quero que a lei seja respeitada", justificou-se o ministro do Interior. (ANSA)

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