Berlusconi mostra abertura sobre casamento gay

Ex-premier também pediu nova lei de imigração

Berlusconi teve mandato de senador cassado, mas prometeu continuar na vida política
Berlusconi teve mandato de senador cassado, mas prometeu continuar na vida política (foto: ANSA)
11:33, 24 OutROMA ZLR

(ANSA) - Um dia após garantir que continuará na vida política apesar de seus problemas com a Justiça, o ex-primeiro-ministro da Itália Silvio Berlusconi deu uma coletiva de imprensa nesta quinta-feira (23), durante a qual expôs a posição do seu partido, o centro-direitista Forza Italia (FI), nos principais temas em discussão atualmente no país, a começar pelo matrimônio entre pessoas do mesmo sexo.
    O ex-premier defendeu a adoção de um modelo igual ao da Alemanha, onde a figura jurídica do casamento só pode juntar um homem e uma mulher, enquanto a chamada união civil é destinada somente aos homossexuais. "A lei alemã é o compromisso certo entre a liberdade de todos e o profundo respeito pelos valores cristãos e da família", disse.
    A questão tem provocado polêmica na Itália, já que muitos prefeitos passaram a registrar em suas cidades matrimônios entre gays celebrados no exterior, provocando a ira do ministro do Interior Angelino Alfano, de orientação conservadora. Por outro lado, o premier centro-esquerdista Matteo Renzi, cujo governo é fruto de uma delicada aliança com parte da centro-direita, prometeu legalizar as uniões entre pessoas do mesmo sexo.
    "Mas a família permanece no centro da nossa visão, e vamos defendê-la como uma comunidade fundada por um homem e uma mulher", ressalvou o ex-primeiro-ministro. Ele também abordou outro assunto controverso, ao propor a concessão do "ius soli", ou "direito de solo", para filhos de imigrantes que completem um ciclo escolar e conheçam a história italiana. Por meio desse princípio, a nacionalidade é reconhecida de acordo com o local de nascimento do indivíduo.
    Atualmente, a Itália adota o "jus sanguinis", que prevê a concessão da cidadania de um país de acordo com a ascendência da pessoa. Ou seja, se os pais da criança são italianos, ela também tem direito de sê-lo. Ao adotar o "ius soli", Roma tiraria da ilegalidade filhos de imigrantes clandestinos que cumprem os requisitos necessários.
    "Era uma proposta nossa, fizemos até uma intervenção sobre isso", declarou Berlusconi. (ANSA)

Todos los Derechos Reservados. © Copyright ANSA