UE envia carta à Itália sobre Lei de Estabilidade

Bloco quer mais informações sobre cumprimento de metas fiscais

Renzi teve encontro com líderes das Regiões sobre a Lei de Estabilidade (foto: ANSA)
11:32, 23 OutROMA ZGT

(ANSA) - O Ministério da Economia italiana divulgou nesta quinta-feira (23) a íntegra da carta recebida da União Europeia sobre a nova Lei de Estabilidade para 2015. Segundo informou a pasta, a resposta para o comando do bloco econômico será enviada até amanhã (24).

 

A Comissão pediu informações adicionais para "esclarecer razões e pressupostos" da medida aprovada pelo Conselho de Ministros italianos. Na carta, "a Comissão pretende continuar o diálogo construtivo com a Itália para chegar a uma avaliação final" sobre a manobra.

 

O Comissário da entidade, Jyrki Katainen, ainda pede explicações sobre dois pontos principais: "por que a Itália se prepara para não respeitar o pacto de estabilidade 2015" e "como o país assegurará o pleno respeito das obrigações da política do balanço de 2015".

 

Ainda de acordo com o documento enviado pela UE, "análises preliminares, com base nas contas dos técnicos da Comissão, mostram que a Itália programa um significativo desvio dos ajustamentos pedidos para centrar os objetivos a médio prazo".

 

Ontem (22), ao comentar sobre a carta que seria enviada ao país, o primeiro-ministro italiano, Matteo Renzi, afirmou que esses questionamentos eram "naturais", mas que a Itália iria agir de acordo com "sua própria voz".

 

Já nesta quinta, em encontro com os líderes das Regiões (equivalentes aos estados brasileiros), Renzi afirmou que não há "espaço para mediações" sobre o corte de gastos públicos. Ele disse que a ideia é "fazer com que a manobra seja sustentável, evitando que se façam cortes que aumentem a fiscalização. Respeitar os saldos não significa que eles sejam feitos somente de cortes".

 

A Lei de Estabilidade prevê um ambicioso corte de 18 bilhões de euros em impostos, incluindo a manutenção do bônus de 80 euros mensais no Imposto de Renda de quem recebe salários de até 1,5 mil euros e a ampliação desse benefício para mulheres que acabaram de ter filhos. Os cortes afetam tanto o governo nacional, como as cidades e as Regiões.

 

Além disso, a partir de 2015, será zerado o componente trabalhista do Imposto Regional sobre as Atividades Produtivas (Irap) para as empresas e eliminadas as contribuições pagas nas contratações a tempo indeterminado.

 

Itália e França já se envolveram em diversas discussões sobre a meta de austeridade de 3% do Produto Interno Bruto (PIB). Os franceses chegaram a dizer que não cumpririam a meta e que só conseguiriam atingir o número em 2017. Na semana passada, durante um encontro em Milão, as duas nações se comprometeram a respeitar o acordo. (ANSA)

Todos los Derechos Reservados. © Copyright ANSA