Termina depoimento de Napolitano sobre máfia

Presidente italiano respondeu todas as perguntas

Napolitano depõe sobre máfia
Napolitano depõe sobre máfia (foto: ANSA)
20:43, 28 OutROMA ZGT

(ANSA) - Terminou, após três horas, o depoimento do presidente italiano, Giorgio Napolitano, sobre as supostas ligações do Estado com a máfia do país. Segundo um advogado que estava na audiência, o mandatário respondeu todas as perguntas.Porém, em algumas, ele apenas fez afirmações parciais, preservando seus direitos de chefe de Estado.

O palácio do governo italiano, a Quirinale, emitiu um comunicado dizendo que o presidente "respondeu a todas as perguntas sem fazer o uso das prerrogativas constitucionais e não fez nenhuma objeção às provas relevantes apresentadas".

O advogado ressaltou que Napolitano disse que "a palavra 'negociação' não foi nunca utilizada" por seu conselheiro jurídico, Loris D'Ambrosio. Outro membro da comissão que acompanhou o julgamento destacou que o presidente também respondeu aos questionamentos do advogado Luca Cianferoni, que representa o mafioso Totò Riina, que está preso desde 1993.

Já o representante da defesa de um dos acusados, Nicoletta Piergentili, afirmou que o político italiano disse não estar "minimamente preocupado" com as notícias que os membros do Cosa Nostra queriam matá-lo em 1993. Segundo Napolitano, essas ameaças "faziam parte de seu papel institucional".

Piergentili destacou ainda que o presidente afirmou que "com Loris D'Ambrosio éramos uma equipe de trabalho" e que, na época em que trabalhavam juntos, "nunca soube de acordos" entre o Estado e a Cosa Nostra.

Cianferoni afirmou que o presidente da República "ressaltou substancialmente que ele era apenas um espectador desse problema". Ele ainda falou que Napolitano precisou "consultar as cartas durante o depoimento", uma coisa que "uma testemunha normal não pode fazer".

O depoimento do mandatário foi realizado por causa de uma carta que recebeu de seu conselheiro jurídico, Loris D'Ambrosio. O documento foi recebido por Napolitano logo após terem sido revelados telefonemas entre o conselheiro e o ex-presidente italiano Nicola Mancino sobre a preocupação de D'Ambrosio ser "ingênuo" e de estar sendo "usado como escudo" pelo ex-presidente. (ANSA)

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