Renzi lembra refugiados e pede para UE vencer o 'medo'

Primeiro-ministro da Itália discursou nas Nações Unidas

Primeiro-ministro da Itália discursa na Assembleia-Geral da ONU (foto: EPA)
20:17, 29 SetNOVA YORK ZLR

(ANSA) - Há um ano, em sua estreia na Assembleia-Geral das Nações Unidas (ONU), o primeiro-ministro da Itália, Matteo Renzi, dedicara boa parte de seu discurso ao tema da imigração ilegal no Mediterrâneo, cobrando ajuda da comunidade internacional para lidar com a questão.

 

Nesta terça-feira (29), o premier de 40 anos voltou ao plenário da ONU para, mais uma vez, exigir da Europa e do mundo uma resposta firme à maior crise global de refugiados desde o fim da Segunda Guerra Mundial.

 

Falando "em nome de um povo que todos os dias se empenha no resgate de milhares de irmãos e irmãs no coração do Mediterrâneo", Renzi pediu para os países enfrentarem o medo, recusarem a "ditadura do instante" e pensarem com um horizonte mais amplo.

 

"Fomos os primeiros a ter a dimensão daquilo que estamos vivendo no Mediterrâneo. No ano passado, falamos aqui que a questão dos refugiados não se resume a números. O problema é o medo, um medo que atravessa as nossas sociedades. Devemos levá-lo a sério", declarou.

 

Lembrando do mito de Fobos, deus grego que injetava a covardia e o pânico nos corações dos inimigos em uma batalha, o primeiro-ministro italiano afirmou que a Europa é um "milagre" que nasceu para derrubar o temor.

 

"Para mim, que vi a queda do muro de Berlim e tive ali uma razão para entrar na política, a ideia de ver surgir novos muros é intolerável. A Europa nasceu para derrubar muros, não para construí-los", afirmou.

 

Ele fazia referência às barreiras levantadas no leste do continente, principalmente na Hungria, para conter a entrada de solicitantes de refúgio. O premier ainda mencionou o menino sírio Aylan Kurdi, de três anos, que morreu em uma praia da Turquia enquanto tentava chegar à Grécia com a família.

 

A foto da criança deitada com o rosto na areia rodou o mundo e provocou uma onda global de comoção. "Eu queria que todos aqui não se limitassem à emoção do momento e que mantivessem aquela imagem na mente para fazerem o seu melhor", acrescentou.

 

Em seguida, ele citou nomes de crianças que nasceram em navios da Marinha Militar da Itália empenhados no resgate de imigrantes no Mediterrâneo. "Que a política recupere a dignidade, que essa assembleia esteja ciente do desafio. Que a Europa, em nome da coragem, não ceda ao medo. A Itália, orgulhosamente, fará a sua parte", concluiu Renzi. (ANSA)

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