Berlusconi e Ban ki-moon foram alvos da NSA, diz WikiLeaks

site revelou nova série de relatórios de espionagem dos EUA

Ex-premier italiano Silvio Berlusconi foi alvo de espionagem da NSA (foto: ANSA)
21:01, 23 FevNSA Berlusconi ZBF

(ANSA) - A Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos (NSA) espionou conversas privadas de líderes mundiais, como o secretário-geral das Nações unidas, Ban Ki-moon, a chanceler alemã, Angela Merkel, e o ex-premier italiano Silvio Berlusconi. É o que revela uma nova série de documentos divulgados nesta terça-feira (23) pelo site WikiLeaks.

 

A entidade, fundada pelo australiano Julian Assange, publicou relatórios que comprovam que a NSA colocou escutas em uma conversa entre Ban e Merkel, a qual já tinha sido alvo de grampos praticados pela agência de inteligência norte-americana.
   

 

Merkel e Ban dialogavam sobre como enfrentar as mudanças climáticas quando foram espionados. De acordo com o WikiLeaks, a NSA também acompanhou conversas do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, e de Berlusconi, além de um outro diálogo que o italiano mantivera com Merkel e com o então presidente francês Nicolas Sarkozy.

 

Na ocasião, Netanyahu pediu ajuda a Berlusconi para lidar com o governo dos Estados Unidos, já liderado pelo democrata Barack Obama. "Berlusconi prometeu colocar a Itália à disposição de Israel para ajudar a gerenciar as relações do país com Washington", disseram os relatórios.
   

 

A conversa entre o italiano, Merkel e Sarkozy, por sua vez, girou em torno de assuntos financeiros e ocorreu em 22 de outubro de 2011. "As instituições financeiras italianas podem 'explodir' em breve, como uma tampa de garrafa de champanhe", alertara o líder francês na ocasião.

 

Além do ex-premier italiano, foram grampeados diálogos do então conselheiro para a segurança nacional do país, Bruno Archi, do vice-conselheiro diplomático Marco Carnelos, e do representante permanente da Itália na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Stefano Stefani.

 

A Special Collection Service (SCS), unidade especial da NSA que opera sob cobertura diplomática, era a responsável por coletar dados de comunicação sigilosa de líderes mundiais.
   

 

"Será interessante ver a reação da ONU [com os casos de espionagem]. Porque, se o secretário-geral pode ser alvo, sem qualquer consequência, então qualquer um, desde um líder mundial a um varredor, está em risco", disse o fundador do WikiLeaks, Julian Assange, que desde 2012 está refugiado na embaixada do Equador em Londres para evitar uma extradição aos Estados Unidos, onde é acusado de espionagem.

 

Na Itália, as reações contra o caso de espionagem a Berlusconi foram grandes. O ex-premier governou o país em vários períodos, de 1994 a 1995, de 2001 a 2006 e de 2008 a 2011. A espionagem relevada pelo WikiLeaks foi praticada no último período.

 

O líder do atual partido de Berlusconi, o Forza Italia (FI), na Câmara dos Deputados, Renato Brunetta, exigiu a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre o caso de espionagem de 2011 e sobre a crise bancária de 2015 no país. "Os dois temas podem ser unificados, visto que são duas faces da mesma moeda, com as mãos das finanças internacionais na Itália e com poderes obscuros tentando influenciar nosso país", criticou.
   

 

Por sua vez, o líder do FI no Senado, Paolo Romani, definiu a espionagem "é um fato gravíssimo" e disse que o "Executivo italiano precisa dar uma resposta clara" às práticas da NSA.
   

 

Os novos documentos do WikiLeaks foram publicados simultaneamente no mundo todo, através de parcerias com jornais internacionais e nacionais. Merkel já havia sido alvo de grampos telefônicos, mas nunca foi divulgado nenhum tipo de espionagem contra o secretário-geral das Nações Unidas.
   

 

Na Itália, o governo do ex-premier italiano Enrico Letta (2013-2014) chegou a desmentir que as autoridades do país tinham sido alvos de grampo da NSA. 

 

Itália convoca embaixador norte-americano

 

O Ministério das Relações Exteriores da Itália convocou o embaixador norte-americano em Roma, John Phillips, para esclarecimentos sobre as denúncias de espionagem e cobrou do diplomata uma resposta rápida. "Reiteramos a viva expectativa italiana de ter esclarecimentos o mais rápido possível", declarou o secretário-geral da Farnesina, Michele Valensise.

 

Já a presidente da Câmara dos Deputados Laura Boldrini afirmou que as acusações feitas pelo "WikiLeaks" são "muito graves". "É uma inaceitável ação de espionagem que joga sombra nas relações entre países aliados", disse.

 

Além disso, o primeiro-ministro italiano, Matteo Renzi, segundo alguns participantes da assembleia do Partido Democrático (PD), que ocorre nesta terça-feira, afirmou que vai pedir informações em todas as sedes diplomáticas sobre o caso. (ANSA)

Todos los Derechos Reservados. © Copyright ANSA