Renzi põe governo italiano em risco para aprovar união gay

Senado fará hoje (25) uma votação de confiança do projeto

Renzi põe governo italiano em risco para aprovar união gay (foto: ANSA)
11:20, 25 FevROMA ZBF

(ANSA) - O primeiro-ministro da Itália, Matteo Renzi, pedirá hoje, dia 25, o voto de confiança no Senado a fim de aprovar o projeto de lei que legaliza a união civil entre casais do mesmo sexo no país.
   
Manifestações a favor da legalização da união civil gay, que é diferente do matrimônio, levaram milhares de italianos às ruas nos últimos meses.
   
A comunidade LGBT italiana, no entanto, critica o projeto de lei, que, para poder ser aprovado, teve que abrir mão de algumas das principais mudanças que beneficiariam os casais formados por pessoas do mesmo sexo, como o direto à adoção do filho biológico do parceiro (stepchild adoption).
   
Quando o Executivo coloca um projeto de lei em votação de confiança, ele condiciona sua própria permanência no poder à aprovação do texto. Ou seja, se ele receber o voto de confiança dos senadores, significa que os políticos confiam em seu programa de governo, e que este deve ser estabelecido sem questionamentos.
   
O instrumento é usado para evitar obstrucionismos no Parlamento, bloqueando todas as emendas e fazendo com que o texto seja votado da forma como foi apresentado.
   
Para garantir que não perderia a votação no Senado, o que forçaria Renzi a deixar o governo, o premier teve de ceder à ala conservadora de sua base aliada, que se opunha à adoção legal de filhos biológicos de parceiros homossexuais.
   
Como já era especulado há alguns dias, o Partido Democrático (PD), liderado pelo primeiro-ministro, chegou nesta quarta-feira (24) a um acordo com a legenda Nova Centro-Direita (NCD), que comanda dois Ministérios (Interior e Saúde) para reescrever o texto do projeto, tirando a chamada "adoção de enteado".
   
A proposta anterior previa que homossexuais pudessem registrar os filhos de seus parceiros, mas apenas na ausência do outro pai biológico. O artigo seria uma forma de proteger os direitos das crianças caso seu genitor falecesse, mas sofreu forte resistência no Senado, em um país de tradições cristãs bastante arraigadas e que tem o Vaticano dentro de sua capital, Roma.
   
Apesar dos recuos, Renzi comemorou o pacto. "O acordo sobre a união civil é um fato histórico para a Itália", escreveu o primeiro-ministro em seu perfil no Twitter.
   
O presidente da entidade Gaynet, Franco Grillini, expoente histórico do movimento LGBT na Itália, criticou duramente o novo texto e disse que o Estado quer "colocar as mãos nas cuecas dos outros para decidir quem pode fazer sexo, como e com quem". A Itália é o único dos maiores países europeus que ainda não possui uma legislação para os casamentos gays. Um dos termos mais polêmicos do projeto em trâmite do projeto é a adoção.
   
Segundo o texto atual, o casal homossexual poderia adotar uma criança gerada por um dos pais, mas não filhos de terceiros - como acontece em uniões heterossexuais.
   
Além da oposição dentro do Senado, a medida também enfrenta uma forte oposição da Igreja Católica, muito influente no país que abriga o Vaticano.
   
O papa Francisco chegou a afirmar em audiência no final de janeiro que não pode "haver confusão" na Igreja entre o que é a família que Deus quer e o que são os outros tipos de união.
   
A declaração resume a linha defendida pela Igreja Católica, apesar do papa Francisco sinalizar uma abertura quando disse, no começo de seu pontificado, que os gays e os divorciados não podem ser julgados.
   
Em 2013, Francisco afirmou que "se uma pessoa é gay, procura Jesus e tem boa vontade, quem sou eu para julgá-la? O catecismo diz que não se deve marginalizar essas pessoas". A declaração do Papa foi manchete de jornais de todo o mundo, pois foi uma das raras vezes em que um Pontífice demonstrou publicamente abertura para que a Igreja acolha os homossexuais. (ANSA)

Todos los Derechos Reservados. © Copyright ANSA