Seria Donald Trump o Silvio Berlusconi dos EUA?

Trajetória do magnata é semelhante à do ex-primeiro-ministro

Silvio Berlusconi participa de lançamento de livro na Itália
Silvio Berlusconi participa de lançamento de livro na Itália (foto: ANSA)
07:59, 09 NovROMA ZLR

(ANSA) - Bilionário, mulherengo, irreverente, controverso, com um estilo de vida nada econômico, um outsider do mundo empresarial que resolveu se arriscar na política. Seria Donald Trump o Silvio Berlusconi dos Estados Unidos? A semelhança entre as trajetórias do ex-primeiro-ministro da Itália e do novo líder da Casa Branca tem provocado essa pergunta na imprensa norte-americana e levantado debates.

 

Como se sabe, Berlusconi atingiu o auge: foi chefe de governo em três ocasiões (1994-1995, 2001-2006 e 2008-2011), desfilou com desenvoltura pela política internacional e ainda hoje é (cada vez menos) influente em seu país. Assim como Trump, iniciou seu percurso no setor imobiliário, onde fez dinheiro para comprar canais de TV e o seu clube de coração, o Milan, até se eleger ao cargo de primeiro-ministro.

 

Os resulta das eleições mostram que o bilionário norte-americano não precisou de um sucesso esportivo para sonhar com a Casa Branca. Com um discurso populista e se aproveitando da descrença em relação à política de um povo esmagado pela desigualdade social, se tornou o novo presidente.

 

Berlusconi, por sua vez, fez sua "descida a campo", como ele próprio diz, em janeiro de 1994, em meio às investigações da operação "Mãos Limpas", que naquela altura já havia dinamitado a imagem dos principais partidos italianos, como a Democracia Cristã. Ambos preencheram um vácuo de liderança no espectro conservador, flertando muitas vezes com o populismo e promovendo um discurso altamente personalista - passados mais de 20 anos de sua entrada na vida pública, Berlusconi continua comandando seu partido, o Forza Italia, com braço de ferro, embora ele mesmo não possa concorrer a cargo nenhum.

 

Suas declarações bem humoradas e vulgares atraíram simpatia imediata, principalmente por jogarem um pouco de pimenta na falta de tempero da política. Para citar exemplos mais recentes, Trump imitou um repórter deficiente durante um comício, enquanto Berlusconi fez "chifrinho" em uma criança em uma selfie.

 

Referências sexuais e machistas também são frequentes em seus pronunciamentos. Em um debate, o norte-americano garantiu que seu pênis era grande - ao contrário do que sugerira um adversário. Semanas antes, havia comentado sobre o período menstrual de uma jornalista. Já o italiano é dono de frases como "É melhor ser apaixonado por garotas bonitas do que gay" e "Outra razão para investir na Itália é que temos lindas secretárias".

 

As festas em suas mansões, apelidadas de "bunga-bunga", são famosas, mas quase o levaram à cadeia por prostituição de menores. Realizados quando ainda estava no poder, esses jantares eram repletos de jovens garotas de programa, incluindo brasileiras, que recebiam mesada do "papaizinho". Mais tarde, os pagamentos levantaram na justiça a suspeita de que fossem propinas para calar as meninas em processos contra ele e o fizeram parar no banco dos réus mais uma vez.

 

Assim como Trump, o ex-primeiro-ministro passou por casamentos fracassados e divórcios milionários. Atualmente, namora uma jovem de 30 anos. Além dos amores, do dinheiro e da política, o cabelo também os une. Tanto o norte-americano quanto o italiano mostram um cuidado especial com as madeixas, seja o pomposo topete do primeiro, sejam os escassos fios - frutos de implantes - do segundo.

 

"Trump pode lembrar Berlusconi. Assim como ele, é cheio de compromissos, trabalhou muito, tem muitos recursos econômicos. E ambos tomam muito cuidado com seus cabelos", comparou na semana passada a europarlamentar Alessandra Mussolini, neta do ex-líder fascista Benito Mussolini e aliada do ex-premier.

 

De qualquer forma, a trajetória política de Berlusconi já está escrita e caminha para seu fim. A de Trump está apenas começando. A partir de agora, podemos dizer que Trump é o novo Berlusconi, só que com livre acesso ao botão nuclear. (ANSA)

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