Itália decreta emergência em áreas afetadas por terremoto

Balanço já contabiliza 250 mortos e 365 feridos

Terremoto de 6,2 graus atingiu região central da Itália (foto: ANSA)
18:15, 25 AgoROMA ZBF

(ANSA) - O primeiro-ministro da Itália, Matteo Renzi, decretou estado de emergência nas áreas atingidas pelo terremoto da última quarta-feira (24) e aprovou a destinação imediata de 50 milhões de euros para enfrentar a crise.

 

Os investimentos se concentrarão nos municípios de Amatrice e Accumoli, no Lazio, e Arquata del Tronto - principalmente o distrito de Pescara del Tronto -, em Marcas, os mais afetados pelo tremor. "A reconstrução daqueles vilarejos é a prioridade do governo e do país", declarou o premier.

 

No entanto, Renzi ressaltou que a Itália não pode ter apenas uma visão "emergencial", o que sempre acontece após desastres naturais na península. "Agora é o momento no qual, todos juntos, sem divisões políticas, devemos tentar dar um salto de qualidade com um projeto que não seja limitado a emergências", afirmou.

 

Por conta disso, o primeiro-ministro anunciou o projeto "Casa Itália", uma iniciativa para promover a "cultura da prevenção" e aumentar a proteção da infraestrutura italiana contra abalos sísmicos. "A prioridade imediata é assegurar aos nossos conterrâneos um lugar para dormir", disse ele, acrescentando que os desalojados têm o direito de permanecer no lugar de suas "próprias raízes".

 

Já o ministro das Finanças Pier Carlo Padoan assinou o congelamento da cobrança de impostos aos cidadãos das áreas afetadas pelo terremoto.

 

Cultura

 

Além dos prejuízos humanos causados pelo tremor da última quarta-feira, há também os danos ao patrimônio histórico italiano. Segundo dados do governo, 293 bens culturais e monumentos foram afetados pelo sismo, dos quais 50 estão severamente avariados ou colapsaram.

 

"Certamente é um número destinado a subir, dada a vastidão da área atingida", afirmou o ministro dos Bens Culturais da Itália, Dario Franceschini. De acordo com ele, a reconstrução das cidades deve respeitar as características de seus centros históricos, mas com proteção contra terremotos.

 

"Esse é um desafio que devemos enfrentar. Aqueles lugares devem voltar a ser do mesmo jeito que eram até algumas horas atrás", acrescentou.

 

Balanço

 

De acordo com o último balanço divulgado pela Defesa Civil, pelo menos 250 pessoas morreram no sismo e outras 365 estão internadas com ferimentos. Ao todo, há 193 vítimas em Amatrice e 11 em Accumoli, totalizando 204 na região do Lazio. Outras 46 mortes foram contabilizadas em Arquata del Tronto. 

 

 

O abalo sísmico, sentido às 3h36 locais de quarta-feira, devastou cidades inteiras nas regiões de Marcas e Lazio, que ficam no centro da Itália, bem próximo de L'Aquila, que ainda tenta se reconstruir do terremoto de 2009, que deixou 309 vítimas.

 

Desde que a terra começou a tremer até as 7h desta quinta, foram registradas 460 réplicas, sendo que uma delas superou os 5 graus de magnitude e levou os italianos ao pânico novamente. Às 14h35, uma réplica de 4,3 graus provocou novos desabamentos de prédios e edifícios, principalmente em Amatrice. 

 

"Até o momento, as réplicas estão ocorrendo de maneira coerente com o que se prevê nos modelos teóricos, baseados em um terremoto principal. Mas sabemos que podem ocorrer abalos sísmicos mais fortes", disse o sismólogo Massimo Cocco, do Instituto Nacional de Geofísica e Vulcanologia (INGV).

 

Além das centenas de vítimas e feridos, outras 4 mil pessoas estão desabrigadas e passaram a noite em centros de acolhimento e tendas. Muitas delas tentaram se organizar para recuperar o que sobrou de suas casas, principalmente medicamentos e documentos. "Ainda não sabemos aonde ir", lamentou uma família de Arquata del Tronto.

 

Nesta manhã, a Promotoria de Rieti abriu um inquérito para apurar a hipótese de desastre culposo no terremoto. Coordenada pelo promotor Giuseppe Saieva, a investigação analisará inclusive o desabamento de edifícios públicos que foram recentemente reestruturados, como uma escola em Amatrice. (ANSA)

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