Projeto que autoriza consumo de maconha sofre derrota na Itália

Iniciativa foi retirada de plenário e voltou para comissão

Atualmente, tanto o cultivo quanto o consumo de maconha são proibidos na Itália
Atualmente, tanto o cultivo quanto o consumo de maconha são proibidos na Itália (foto: ANSA)
16:17, 15 JunROMA ZLR

(ANSA) - A Câmara dos Deputados da Itália tirou nesta quinta-feira (6) o projeto de lei que autoriza o cultivo e o consumo de maconha de sua pauta e o devolveu para a Comissão de Justiça e Assuntos Sociais, em uma derrota dos que defendem a flexibilização das normas sobre a erva.

 

Com isso, por decisão dos parlamentares, a iniciativa será novamente debatida em uma instância inferior, para depois ser levada a plenário. O texto estava na pauta desde 25 de julho, mas começou a ser discutido de fato em setembro, após as férias dos congressistas.

 

"O retorno da lei sobre a liberalização da cannabis é um sucesso do qual nos orgulhamos. Sempre dissemos que é uma lei absurda, que veicula uma mensagem errada de que se pode consumir drogas sem problemas", declarou o deputado Maurizio Lupi, expoente do grupo de centro-direita Área Popular, que integra a base aliada do primeiro-ministro Matteo Renzi, de centro-esquerda.

 

O texto legaliza o cultivo da maconha para consumo próprio, desde que limitado a cinco plantas por residência e que o cidadão comunique o plantio às autoridades competentes. Além disso, permite a posse de até 15 gramas da erva na própria casa e de até cinco gramas na rua.

 

Segundo o projeto, também poderão ser abertos comércios para a venda de maconha para recreação, com um regime tributário similar ao que vale para cigarros. A iniciativa é assinada por 218 dos 630 deputados, tanto do governo quanto da oposição.

 

Atualmente, o cultivo da planta é proibido na Itália até mesmo para fins terapêuticos. Apenas o Instituto Químico, Farmacêutico e Militar de Florença, ligado ao Exército, tem permissão para plantar a cannabis. Contudo, o projeto sofre muita resistência no Parlamento de um país que ainda convive com a influência da Igreja Católica.

 

Até mesmo o gabinete de Renzi se absteve de apoiar publicamente a iniciativa, apesar de ser promovida por dezenas de parlamentares da base aliada. (ANSA)

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