Um dia após terremoto, Itália tem mais de 4 mil desabrigados

Mais de 200 réplicas ocorreram desde a noite de quarta-feira

Dois terremotos e mais de 200 réplicas atingiram região central da Itália (foto: ANSA)
17:22, 27 OutROMA ZGT

(ANSA) - Mais um terremoto foi registrado na região central da Itália nesta quinta-feira (27). O tremor, de magnitude 4,2, ocorreu em Norcia, na Úmbria, enquanto acontecia uma reunião das autoridades locais para falar sobre a reconstrução das áreas afetadas pelos sismos anteriores. O encontro foi interrompido subitamente, e todos foram ao lado de fora para se proteger.

 

Milhares de pessoas já estão desabrigadas no país após os dois fortes terremotos ocorridos na noite desta quarta-feira (26). "Nós temos algo em torno de 2 a 3 mil desabrigados e tememos ter muito mais casas inabitáveis do que aquelas que foram registradas após o terremoto do dia 24 de agosto", informou Cesare Spuri, chefe da Defesa Civil da região de Marcas, a mais afetada pelos abalos sísmicos.

 

Ainda de acordo com Spuri, "entre o grande número de pessoas que dormiram fora de casa há tanto famílias com as casas danificadas, bem como desabrigados por estarem com medo". Poucas horas após as declarações, a Defesa Civil da região informou que o número de pessoas desabrigadas ultrapassa 4 mil.

 

"A situação é dramática. Só por um milagre não houve mortos e feridos graves, mas os danos são muito grandes", disse o assessor da Defesa Civil, Angelo Sciapichetti. Segundo o sismólogo Alessandro Amato, do Instituto Nacional de Geofísica e Vulcanologia (INGV), foram cerca de 200 réplicas desde o primeiro tremor, de 5,4 graus na escala Richter, registrado às 19h10 (15h10 no horário de Brasília).

 

Um outro sismo foi registrado às 21h18 (17h18 no horário de Brasília), ainda mais forte que o primeiro, de 5,9 graus, e houve mais de 30 réplicas de magnitude igual ou superior a 3 graus durante a madrugada e manhã desta quinta-feira.

 

O epicentro de todos os maiores abalos sísmicos ocorreu entre a região de Marcas e a província de Perugia, próximos às pequenas cidades de Castel Santangelo sul Nera, Visso, Tolentino e Ussita, todas na mesma região.

 

 

 

O chefe da Defesa Civil da Itália, Fabrizio Curcio, o comissário extraordinário para a reconstrução, Vasco Errani, e o governador de Marcas, Luca Ceriscioli, visitaram as comunas mais atingidas nesta quarta. Errani foi designado para o cargo após o terremoto ocorrido no dia 24 de agosto, justamente na mesma região.

 

Porém, diferentemente daquele sismo, dessa vez apenas uma morte foi registrada e de maneira "indireta", já que o idoso que faleceu não estava sob escombros, mas teve um infarto pelo pavor provocado pelos constantes tremores. Há ainda dezenas de feridos. Em agosto, 298 pessoas morreram nas cidades de Amatrice, Accumoli e Arquata del Tronto, e os locais registraram novos danos com o tremor de ontem.

 

Estima-se que os danos estruturais nas cidades sejam maiores do que o sismo de agosto já que muitas residências e prédios já estavam parcialmente danificados por aquele tremor. A forte chuva que cai na região também complica os trabalhos, uma vez que as infiltrações podem causar ainda mais danos.

 

O Conselho de Ministros da Itália destinou 40 milhões de euros para os trabalhos iniciais nas áreas atingidas pelos terremotos. Segundo informações de fontes do governo, já foi decretado estado de emergência na região.

 

 

As aulas foram suspensas nas regiões de Úmbria, Marcas e Abruzzos.

 

Roma

 

Apesar de ficar relativamente longe do epicentro do terremoto, a capital Roma registrou mais de 100 intervenções dos bombeiros após os tremores - que foram sentidos na cidade. Rachaduras foram detectadas em vários prédios, mas de acordo com a Defesa Civil, nenhuma é tão grave a ponto de interditar as propriedades.

 

Papa envia mensagem

 

O papa Francisco publicou em sua conta no Twitter uma mensagem de apoio aos atingidos pelos dois terremotos que ocorreram na região central da Itália. "Estou próximo em oração às pessoas atingidas pelo novo terremoto no centro da Itália", escreveu o líder da Igreja Católica. Recentemente, Francisco visitou a cidade de Amatrice, que foi devastada por outro terremoto no dia 24 de agosto.

 

O Pontífice voltou a falar do terremoto e disse que, perante às calamidades naturais, "Deus chora". "Também hoje, diante das calamidades, das guerras que se faz para adorar o deus dinheiro, por tantos inocentes mortos pelas bombas dos daqueles que idolatram o dinheiro, também hoje o Pai chora", destacou.

 

 

 

Pequenas comunas estão devastadas

 

Os prefeitos das cidades de Ussita e Castelsantangelo sul Nero, ambas muito próximas ao epicentro, informaram que as comunas foram devastadas.

 

"É um desastre. Acreditamos que 80% das casas estão inabitáveis e, com os novos tremores, as pessaos estão cedendo psicologicamente", disse o prefeito Marco Rinaldi, após afirmar que a comuna ficou "destruída".

 

Com pouco mais de 400 habitantes, Ussita viu mais de 200 moradores dormindo nas ruas durante essa madrugada. Essas pessoas devem ser encaminhadas a "acampamentos" já existentes na localidade por enquanto e as demais devem ir para casas de parentes.

 

Já em Castelsantangelo sul Nera, a situação é similar. Segundo o prefeito Mauro Falcucci, "todo o centro está na zona vermelha", ou seja, com interdições que impedem que moradores e comerciantes voltem a habitar o local.

 

O líder da pequena comuna, que conta com 368 habitantes, informou que há "danos importantes em 90% de Castel Santangelo" e que toda a zona central será interditada ainda nesta quinta-feira (27). (ANSA)

 

 

Renzi visitará áreas atingidas

 

O primeiro-ministro da Itália, Matteo Renzi, visitará a região de Marcas nesta quinta-feira (27) para verificar os danos causados por dois terremotos ocorridos ontem (26). O premier fará um sobrevoo no local e depois visitará as comundas de Camerino e Visso. 

 

Desaba único prédio que havia resistido a terremoto em Amatrice

 

Os dois terremotos desta quarta-feira (26) derrubaram o único prédio que havia resistido ao forte tremor registrado em Amatrice no dia 24 de agosto. O "palazzo rosso", uma construção de quatro andares feita de tijolinhos a vista, era uma das imagens mais fortes do sisma ocorrido há dois meses. (ANSA)

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