Pela 1ª vez, Itália se abstém em votação do orçamento da UE

Acordo permitiu votação de orçamento para 2017

União Europeia fez acordo sobre orçamento de 2017
União Europeia fez acordo sobre orçamento de 2017 (foto: AP)
12:24, 17 NovBRUXELAS ZGT

(ANSA) - Pela primeira vez, a Itália se absteve na votação sobre o orçamento para o ano de 2017 na União Europeia e manteve sua postura de enfrentar o bloco por causa dos problemas com imigração e educação.


A decisão ainda confirma a vontade dos italianos de vetarem os orçamentos de médio e longo prazo do bloco, já que o que foi votado hoje não inclui a revisão do quadro financeiro global para o período 2014-2020, que revê os gastos para os próximos três anos.

 

Nesta quinta-feira (17), no entanto, o Parlamento Europeu, a Comissão Europeia e o Conselho Europeu entrarem em consenso e aprovaram o acordo para o orçamento do ano que vem.

 

Segundo os números apresentados, estão previstos 157,9 bilhões de euros em compromissos com os programas da entidade, alta de 1,7% em comparação com o valor deste ano, e de 134,5 bilhões de euros em pagamentos, uma redução de 1,6% no comparativo com 2016.

 

Especificamente para a questão das imigrações e da segurança, serão disponibilizados 5,9 bilhões de euros, alta de 11,3%, e outros 21,3 bilhões serão destinados para o crescimento e para a geração de empregos.

 

A proposta de compromisso final apresentada pela Presidência eslovaca e aceita pelo Parlamento adicionou os pedidos italianos na questão que atinge os programas europeus de educação e pesquisa (Erasmus, Horizon 2020 e Giovani). No entanto, o valor não foi considerado suficiente pela delegação italiana para votar a favor do acordo.

 

A Itália criticou ainda a redução dos investimentos em favor dos países mediterrâneos e o adiamento temporário, por falta de base jurídica, do financiamento para o Fundo de Desenvolvimento Sustentável. Os dois pontos são considerados fundamentais pelo governo italiano já que afetam diretamente a questão da crise imigratória.

 

A Comissão informou, contudo, que está "empenhada" em dar os recursos necessários para financiar o Fundo assim que a base jurídica do mesmo seja formalizado.

 

Falando sobre o tema em um evento a favor do "sim" no referendo constitucional de dezembro, o primeiro-ministro italiano, Matteo Renzi, afirmou que seu governo está "pronto para qualquer tipo de intervenção, até o veto" nos debates orçamentários do bloco europeu.

 

"Mas, nós não vamos bancar os egoístas. Estamos prontos para fazer a nossa parte, mas pedimos que a Europa dê mais atenção ao crescimento e aos imigrantes", destacou o premier em Cagliari.

 

Reações europeias

 

A vice-presidente da Comissão Europeia, Kristalina Georgieva, comemorou a aprovação do Orçamento após a votação. "Nós não economizamos nenhum esforço para assegurar o dinheiro para um orçamento que caminhará no melhor interesse para as nossos povos", disse Georgieva ressaltando que os valores acertados "ajudarão contra os choques, dando força a nossa economia e enfrentando problemas como a crise dos refugiados".

 

O presidente da comissão de Orçamento do Parlamento, o francês Jean Arthuis, destacou que "em tempos turbulentos, é muito reconfortante ver que as instituições europeias podem encontrar um acordo nos tempos previstos". O liberal francês ainda ressaltou que o dinheiro terá "uma ênfase especial sobre os programas para o crescimento e recursos extras para o Erasmus" e que o "Parlamento decidiu investir no futuro".

 

Já para o secretário eslovaco de Finanças, Ivan Lesay, que presidiu as negociações, comentou que "a força do Orçamento europeu está em seu foco em medidas prioritárias como o enfrentamento à crise dos imigrantes e suas raízes e para encorajar os investimentos como uma maneira de estimular o crescimento e gerar empregos". (ANSA)

Todos los Derechos Reservados. © Copyright ANSA