Após 1.015 dias, governo Renzi chega ao fim; Veja cronologia

Desde que assumiu, premier fez reformas em diversos setores

Governo de Renzi durou exatos 1.015 dias
Governo de Renzi durou exatos 1.015 dias (foto: ANSA)
23:44, 04 DezROMA ZGT

(ANSA) - O quarto governo mais longo da Itália desde o fim da Segunda Guerra Mundial terminará na manhã desta segunda-feira (5) com a entrega da renúncia formal do primeiro ministro Matteo Renzi.

Após 1015 dias de governo - e há quatro anos de sua presença atuando na política nacional -, Renzi perdeu no referendo constitucional e anunciou, na noite deste domingo (4), que deixará o cargo. "Não sou como os outros. Não vou ficar aqui por uma cadeira", disse ao fazer o anúncio.

No entanto, Renzi deu alguns passos que causariam no futuro problemas com "aliados" e a conviver em um constante embate com a minoria de seu partido. Confira uma cronologia dos principais momentos do governo.

 

8 de dezembro de 2013: Renzi consegue ser eleito o secretário do Partido Democrático, a função de líder nacional da sigla, derrotando Gianni Cuperlo.

 

Fevereiro de 2014: Em uma reunião da direção do PD, em 13 de fevereiro, é votada e aprovada uma moção de desconfiança contra o então primeiro-ministro Enrico Letta. No dia 21, Renzi recebe do presidente Giorgio Napolitano a missão de formar um novo governo. "O objetivo é fazer as coisas logo" e "até 2018", diz o líder do PD. No dia 22, jura como novo premier.

 

24 de maio de 2014: Em uma coletiva de imprensa, Renzi traça o balanço dos primeiros 80 dias de governo, entre eles, lança o decreto da reforma trabalhista, o "Jobs Act", a reforma das Províncias e o teto de salários para dos altos dirigentes. "É só o início", diz.

 

18 de janeiro de 2015: O premier recebe Silvio Berlusconi, líder do Força Itália, na sede do PD, no largo de Nazareno, para discutir reformas e a lei eleitoral. Os líderes dos dois partidos fecham o "pacto do Nazareno" e concordam em indicar um nome favorável aos dois partidos - de centro-esquerda e centro-direita - para a Presidência após a renúncia do presidente Giorgio Napolitano, em 31 de dezembro de 2013.

 

31 de janeiro de 2015: Renzi "engana" Berlusconi e indica o jurista Sergio Mattarella para a Presidência, obtendo os votos necessários do Parlamento. Como era de se esperar, dias depois, o ex-premier italiano anuncia a quebra do pacto com o líder do PD.

 

Março de 2015: Entra em vigor uma de suas maiores vitórias. O "Jobs Act" começa a valer e, em breve, começa a apresentar bons resultados na economia após oito anos de recessão.

 

4 de maio de 2015: A Câmara dos Deputados aprova, de maneira definitiva, a lei eleitoral batizada de "Italicum", em um primeiro momento, também apoiada pelo Força Itália. É uma lei que vale só para a Câmara porque está ligada à reforma constitucional - que elimina a eleição direta para o Senado.

 

18 de julho de 2015: Abole, a partir de 2016, as taxas para quem comprar a primeira casa. E depois, muda para 2017 e 2018, diversas reformas para os impostos mais importantes pagos pelos italianos, como imposto de renda. Ainda neste mês, consegue aprovar uma reforma na educação italiana, não sem antes enfrentar muitos protestos, batizada de "La Buona Scuola".

 

24 de novembro de 2015 - "Secamos as lágrimas e é tempo de reagir", diz Renzi ao anunciar a resposta da Itália no combate ao terrorismo após os ataques terroristas em Paris. No campo interno, é o início da introdução do princípio: "um euro para a segurança, um euro para a cultura". Para isso, são destinados cerca de 2 bilhões de euros.

 

12 de abril de 2016: Após mais de dois anos de discussão, a reforma constitucional proposta por Matteo Renzi e por sua ministra das Reformas e das Relações com o Parlamento, Maria Elena Boschi, que acaba com o bicameralismo paritário, modifica as competências de Estado e das Regiões, abole o CNEL e as Províncias, é aprovada de maneira definitiva pelos parlamentares.

 

11 de maio de 2016: É aprovada a lei que introduz as uniões civis entre pessoas do mesmo sexo.

 

22 de agosto de 2016: Depois de participar de uma reunião em Berlim convocada após a saída do Reino Unido da União Europeia, Renzi recebe a chanceler alemã, Angela Merkel, e o presidente francês, François Hollande, para "relançar" o projeto europeu.

 

18 de novembro de 2016: Reformas e retomada econômica. "Nós fizemos", mesmo se "ainda temos fome do futuro", diz Renzi após completar os mil dias de seu governo, em plena campanha eleitoral para o referendo. Também neste mês, Renzi enfrenta críticas europeias, mas apresenta - através do PD - uma série de emendas da "manobra econômica" para dar mais incentivo aos trabalhadores e na questão da natalidade no país.

 

4 de dezembro de 2016: A reforma constitucional é colocada para votação em referendo e rejeitada pelos cidadãos italianos. Renzi anuncia sua renúncia. (ANSA)

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