Premier italiano rechaça 'lógica da Guerra Fria' com Rússia

País assumirá a presidência rotativa do G7 em 2017

Paolo Gentiloni é recebido pelo presidente da França, François Hollande
Paolo Gentiloni é recebido pelo presidente da França, François Hollande (foto: EPA)
13:14, 10 JanROMA ZLR

(ANSA) - Em visita à França, o primeiro-ministro da Itália, Paolo Gentiloni, afirmou nesta terça-feira (10) que seu país não está disposto a incorporar a "lógica da Guerra Fria" nas relações com a Rússia, país que é alvo de sanções da União Europeia por conta da anexação da Crimeia.

A declaração foi dada durante uma coletiva de imprensa conjunta com o presidente francês, François Hollande, e antecipou a postura que Roma terá na presidência do G7, cuja próxima reunião, em maio de 2017, será em Taormina, na Sicília.

"Na presidência do G7, tentaremos colocar nos trilhos as relações com a Rússia, sendo intransigentes nos nossos princípios, leais com nossos aliados e indisponíveis para a retomada de lógicas da Guerra Fria", afirmou Gentiloni.

Menos de meia hora depois, o pronunciamento do primeiro-ministro foi comemorado em Moscou. A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Maria Zakharova, disse à ANSA que "apoia" as palavras do premier italiano, "sobretudo por causa das ameaças comuns" enfrentadas pelos dois países, "como o terrorismo".

"Dissemos por muitos anos que somos contrários a uma nova Guerra Fria", acrescentou. Ao assumir o cargo de primeiro-ministro, Gentiloni recebeu uma mensagem de congratulações do presidente Vladimir Putin, que elogiou seu comprometimento com "o desenvolvimento das relações" com a Rússia.

Como ministro das Relações Exteriores da Itália, cargo que ocupou entre 2014 e 2016, o chefe de governo mostrou facilidade para conversar tanto com os Estados Unidos quanto com a Rússia, embora tenha sempre defendido as sanções europeias contra Moscou.

Além disso, recentemente, Roma enviou tropas para uma formação da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) na ex-república soviética da Letônia, medida que irritou Moscou. Em 2017, além da presidência do G7, a Itália terá um assento no Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU), onde a Rússia possui poder de veto.

O grupo de sete países desenvolvidos também inclui Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Japão e Reino Unido, mas foi chamado de "G8" até 2014, quando a Rússia foi expulsa por causa da crise na Ucrânia. (ANSA)

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