Irmãos que teriam espionado Renzi negam acusações

Giulio e Francesca Occhionero estão presos em cadeia de Roma

Giulio Occhionero é diretor de uma empresa de investimentos financeiros (foto: ANSA)
13:01, 11 JanROMA ZLR

(ANSA) - Suspeitos de espionar personalidades do mundo político e financeiro italiano, inclusive o ex-primeiro-ministro Matteo Renzi, os irmãos Giulio, 45 anos, e Francesca Occhionero, 49, negaram as denúncias que os colocam como líderes de uma rede de monitoramento eletrônico.

Os dois foram submetidos a interrogatório nesta quarta-feira (11), na penitenciária de Regina Coeli, em Roma, e rechaçaram todas as acusações. Eles estão presos desde a última terça (10), suspeitos de atividades de espionagem por meio de um malware chamado "Eye Pyramid", que permite controlar computadores à distância.

Nos servidores dos irmãos, foi encontrada uma agenda com milhares de endereços de email, incluindo uma conta da Apple usada por Renzi. "Nunca roubamos dados ou desenvolvemos atividades de espionagem. Os endereços de email são públicos e estão ao alcance de todos, não há qualquer prova de subtração de dados da nossa parte", alegaram Giulio e Francesca Occhionero.

A investigação começou em maio de 2016, quando um servidor da Entidade Nacional de Assistência ao Voo (Enav), responsável pelo controle de tráfego aéreo na Itália, percebeu que alguns dirigentes da estatal haviam recebido emails suspeitos de um escritório de advocacia.

O funcionário analisou o conteúdo das mensagens eletrônicas e descobriu que o escritório, assim como outros concorrentes, tinha sofrido um ataque informático que permitira que hackers usassem suas contas para enviar emails com malware.

Na época, a Enav estava para abrir seu capital na Bolsa de Milão, um período no qual circulavam por seus correios eletrônicos mais informações sigilosas do que de costume. A estatal comunicou o ocorrido à Polícia Postal, que se ocupa de inquéritos sobre crimes cibernéticos e chegou ao nome dos irmãos Occhionero, supostos "gestores" da rede criada em torno do malware.

Em seis anos, eles teriam listado 18.327 contas online de vários tipos e obtido as senhas de 1.793 delas. Com isso, teriam tido acesso a informações e arquivos confidenciais dos usuários desses endereços. Os dados foram catalogados em diversas pastas, sendo que uma delas se chama "Pobu", que, segundo a Procuradoria de Roma, significa "Political & Business" ("Política e Negócios").

Outra pasta teria informações sobre colegas de maçonaria - Giulio Occhionero chegou a ser "venerável mestre" de uma loja em Roma. Entre os emails, estavam endereços usados por diversas personalidades italianas, incluindo os ex-primeiros-ministros Matteo Renzi e Mario Monti, o presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, o ex-prefeito de Turim Piero Fassino e o ex-ministro da Defesa Ignazio La Russa.

No entanto, ainda não se sabe em quais dispositivos os irmãos teriam conseguido implantar o malware - para isso acontecer, é preciso que o usuário abra o arquivo infectado enviado pelos hackers. A Procuradoria de Roma só terá mais detalhes quando acessar os servidores nos Estados Unidos onde os irmãos armazenaram as informações.

"Meu cliente nega ter feito atividades de espionagem, os servidores no exterior eram de uso pessoal. Ele nega ter feito qualquer coisa ilegal", disse o advogado de Giulio, Stefano Parretta, ainda antes do depoimento. Seu cliente é engenheiro nuclear e diretor de uma empresa chamada Westlands Securities, que opera no setor de investimentos financeiros.

Já Francesca é formada em química, mas sempre trabalhou com o irmão. A investigação ainda está em curso, mas já provocou seus primeiros efeitos na Itália. Nesta quarta-feira, o chefe da Polícia de Estado, Franco Gabrielli, trocou o comando da Polícia Postal, que não teria dado a devida importância ao caso nem alertado os serviços de segurança superiores.

A força era comandada por Roberto Di Legami, que foi transferido para o escritório de segurança pessoal. Para seu lugar, foi indicada Nunzia Cardi, que dirigia o departamento da Polícia Postal na região do Lazio e já atuou em inquéritos sobre crimes cibernéticos. (ANSA)

Todos los Derechos Reservados. © Copyright ANSA