Itália condena à prisão perpétua 8 ex-políticos latinos

'Operação Condor' matou 23 cidadãos italianos

Oito ex-políticos e ex-militares foram condenados à prisão perpétua
Oito ex-políticos e ex-militares foram condenados à prisão perpétua (foto: ANSA)
20:26, 17 JanROMA ZGT

(ANSA) - Um tribunal de Roma condenou nesta terça-feira (17), em primeira instância, oito ex-políticos e ex-militares da América do Sul à prisão perpétua pela morte de 23 cidadãos italianos nas décadas de 1970 e 1980. Outros 19 foram absolvidos e outros seis tiveram o caso encerrado por terem falecido.

Os condenados à perpétua são o ex-presidente da Bolívia Luis Garcia Meza Tejada, o ex-ministro do Interior da Bolívia Luis Arce Gomez, o ex-ministro das Relações Exteriores do Uruguai Juan Carlo Blanco, o ex-militar chileno Jeronimo Hernan Ramirez, o ex-presidente do Peru Francisco Rafael Cerruti Bermudez, o ex-coronel do Exército chileno Valderrama Ahumada, o ex-primeiro-ministro do Peru Pedro Richter Prada e o ex-chefe do Serviço Secreto do Peru German Ruiz Figueroa.

Os oito foram condenados por múltiplos homicídios agravados e sequestro. Eles faziam parte de um plano para colocar em prática uma feroz e sistemática repressão aos opositores dos regimes ditatoriais, em uma ação conhecida como "Operação Condor". A operação queria "eliminar", especialmente, sindicalistas, intelectuais, estudantes, operários e expoentes da esquerda.

O caso estava sendo analisado há mais de 17 anos e inicialmente investigava 140 pessoas, incluindo 11 brasileiros, 59 argentinos e seis paraguaios, mas problemas burocráticos ligados à morte de muitos suspeitos reduziram os números de réus, que se resumiram a representantes do Chile, Bolívia, Peru e Uruguai.

"Acolho com satisfação a absolvição de muitos dos acusados, entre os quais alguns dos meus assistidos porque talvez tenha prevalecido o respeito às regras e aos princípios fundamentais de nossas leis. Não concordo com a condenação na questão dos vértices institucionais do Peru porque sempre nutri fortes dúvidas da participação dessa nação no chamado Plano Condor", afirmou o advogado Luca Milani, que defendia alguns dos acusados. (ANSA)

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