Prefeito italiano pró-curdos diz ter sido expulso da Turquia

Segundo político, autoridades apreenderam faixa e celular

Massimiliano Voza (esquerda) é um conhecido defensor da causa curda
Massimiliano Voza (esquerda) é um conhecido defensor da causa curda (foto: ANSA)
19:22, 17 MarNÁPOLES ZLR

(ANSA) - O prefeito da cidade italiana de Santomenna, Massimiliano Voza, denunciou nesta sexta-feira (17) que foi preso e expulso da Turquia por "surreais motivos de segurança".

Segundo o chefe municipal, o episódio ocorreu na noite da última quinta (16), no aeroporto de Istambul, onde ele foi interrogado durante "uma noite inteira" ao lado de mais 14 pessoas de diferentes origens.

"Me foi inclusive negado um telefonema ao consulado italiano. Apreenderam e não devolveram tanto a faixa tricolor [usada por todos os prefeitos italianos] como o celular institucional", disse Voza.

O prefeito de Santomenna, que fica no sul da Itália, é um defensor aberto da causa curda e já deu cidadania honorária ao fundador do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), Abdullah Ocalan, que está preso há 18 anos. Voza tinha como destino a cidade de Diyarbakir, considerada capital da região de maioria curda na Turquia.

Cirurgião, ele já trabalhou como voluntário em hospitais de Kobane, no Curdistão sírio, que foi palco de conflitos com o grupo terrorista Estado Islâmico (EI). Sua visita a Diyarbakir seria realizada a convite de parlamentares curdos, no âmbito da campanha para o referendo convocado pelo presidente Recep Tayyip Erdogan para introduzir o presidencialismo na Turquia.

A consulta popular está marcada para 16 de abril e tem sido motivo de uma batalha retórica entre Ancara e a União Europeia. Nas últimas semanas, tanto a Holanda quanto a Alemanha proibiram a presença de ministros turcos em comícios nos dois países para defender o presidencialismo.

Os vetos irritaram Erdogan, que acusou Amsterdã e Berlim de promoverem práticas "nazistas". Nesta sexta, ele ainda pediu para os turcos que moram na UE terem "cinco filhos" para responder às "injustiças" do bloco. (ANSA)

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