Hungria pede que Itália 'feche as portas' para imigrantes

Roma, por sua vez, afirmou que país não precisa de 'lições'

Hungria pede que Itália 'feche as portas' para imigrantes
Hungria pede que Itália 'feche as portas' para imigrantes (foto: ANSA)
15:35, 21 JulBUDAPESTE E ROMA ZGT

(ANSA) - O primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán, enviou uma carta para o governo italiano em que pede que o país "feche as portas" para os imigrantes ilegais que chegam através da rota do Mar Mediterrâneo.

O documento, que foi assinado pelos outros governos que fazem parte do chamado "Visègrad" - República Tcheca, Eslováquia e Polônia -, foi revelado pelo próprio premier em uma entrevista à rádio pública "MR".

"Se não forem fechadas as portas para os imigrantes, o problema se tornará incontrolável, visto que os alemães e os austríacos fecharão suas fronteiras em breve. O fluxo migratório deve ser barrado na Líbia", disse Orbán sobre o documento.

A resposta italiana veio horas depois, quando o premier Paolo Gentiloni informou que a sua nação "não precisa de lições improváveis da Europa" e que não aceita "palavras ofensivas" sobre o tema dos imigrantes.

"De nossos vizinhos, dos países que compartilham o projeto europeu, nós temos o direito de pedir solidariedade. Não aceitamos lições nem palavras ameaçadoras. Serenamente, nós nos limitamos a dizer que fazemos o nosso trabalho e pretendemos que a Europa faça o seu também sem dar lições improváveis", destacou o primeiro-ministro.

Sobre o pedido do Visègrad de que os "verdadeiros solicitantes de asilo" devem "ser identificados antes de entrarem na União Europeia", Gentiloni destacou que as fronteiras externas estão sendo protegidas, mas que a "UE e seus países-membros precisam mobilizar recursos financeiros e de outros gêneros para criar condições seguras e humanas em abrigos ou centros de acolhimento fora da UE".

Essa não é a primeira vez que o premier, considerado populista por muitos europeus, dá uma declaração polêmica sobre a questão da imigração na Europa. Orbán lidera o Visègrad, um grupo de quatro países que se nega a aceitar a realocação de deslocados que chegam à Itália e Grécia e não aceita nenhum tipo de política de acolhimento da União Europeia.

No ano passado, por diversas vezes, ele bateu de frente com a postura italiana na gestão da crise migratória. Isso porque, mesmo com os pedidos de aumento de ajuda europeia, a Itália considera fundamental salvar vidas no Mar Mediterrâneo.

A referência à Líbia, feita por Orbán, se justifica porque a imensa maioria dos deslocados que chegam à Itália vem de portos líbios e não de países em guerra, como a Síria e o Iraque.

De acordo com dados do Ministério das Relações Exteriores da Itália, entre 1º de janeiro e 21 de julho deste ano, 93.360 pessoas chegaram ao país através do Mediterrâneo, em uma alta de 11% na comparação com 2016. A Organização Internacional para as Migrações (OIM) informa que na travessia para a Itália, 2.207 morreram ou desapareceram, tornando essa a rota marítima mais mortal do mundo. (ANSA)

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