Políticos italianos fazem greve de fome por 'jus soli'

Objetivo é forçar aprovação de lei que muda regras de cidadania

Ideia da greve de fome partiu de professores e logo recebeu a adesão de políticos (foto: ANSA)
16:19, 05 OutROMA ZLR

(ANSA) - Mais de 70 parlamentares italianos, além de membros do alto escalão do governo, iniciaram nesta quinta-feira (5) uma "greve de fome" para forçar a aprovação da lei que muda as regras para concessão de cidadania e introduz o princípio do jus soli na legislação do país.

A mobilização conta com o apoio sobretudo de partidos de esquerda e libertários e inclui também o ministro de Infraestrutura e Transportes Graziano Delrio e o vice-ministro de Relações Exteriores Mario Giro. No entanto, a "greve" será feita na forma de revezamento, ou seja, a cada dia um determinado número de políticos ficará sem comer.

"Depois de tantas palavras gritadas sobre o jus soli, chegou a hora da reflexão. É o tempo de falar com os gestos", declarou Delrio, em entrevista ao jornal "la Repubblica". O projeto enfrenta forte resistência da ala conservadora do Parlamento porque daria a filhos de imigrantes a possibilidade de obter a cidadania italiana.

"Enquanto houver legislatura, haverá esperança", acrescentou o ministro, o primeiro na história do país a fazer um protesto do tipo. A iniciativa partiu de cerca de 900 professores e logo recebeu o apoio de parlamentares, artistas e intelectuais. Até a presidente da Câmara dos Deputados da Itália, Laura Boldrini, estuda aderir. "Estou pensando, mas ainda não decidi", declarou.

Entenda

O projeto para mudar as regras de cidadania é patrocinado pelo Partido Democrático (PD), legenda de centro-esquerda à qual pertence o primeiro-ministro Paolo Gentiloni, e permite que filhos de estrangeiros nascidos no país tenham direito a se tornar italianos.

Atualmente, a nacionalidade no país é concedida por meio do jus sanguinis (em português, "direito de sangue"), que não será alterado. Um filho de pais estrangeiros só pode pedir a cidadania após os 18 anos e apenas se tiver residido na Itália durante todo esse período.

O texto proposto pelo PD introduz na legislação o jus soli, que significa, em tradução livre, "direito ligado ao território". No modelo italiano, o jus soli beneficiaria crianças estrangeiras nascidas na península, mas desde que ao menos um dos pais tenha residido nela legalmente por pelo menos cinco anos. Além disso, o genitor precisaria passar por uma prova de italiano e declarar uma renda mínima.

Já aprovada na Câmara, onde a maioria do governo é maior, a lei enfrenta a resistência da ultranacionalista Liga Norte e do Força Itália (FI), partido da direita moderada liderado por Silvio Berlusconi. "Quando é que os expoentes da esquerda italiana farão uma greve de fome para nossos jovens desempregados e pelas famílias em dificuldade?", questionou a deputada Daniela Santanchè, do FI. (ANSA)

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