Ministro confirma que Temer quer extraditar Battisti

Governo aguarda apenas uma decisão do STF sobre habeas corpus

Cesare Battisti entrou com recurso no STF para evitar extradição
Cesare Battisti entrou com recurso no STF para evitar extradição (foto: ANSA)
11:09, 13 OutSÃO PAULO ZLR

(ANSA) - O ministro da Justiça do Brasil, Torquato Jardim, confirmou que o governo decidiu extraditar o italiano Cesare Battisti, alegando "saída suspeita" do país e "quebra de confiança".

As declarações foram dadas em entrevista à "BBC Brasil", durante a qual Jardim também disse ter recomendado ao presidente Michel Temer que aguarde a decisão do ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), sobre o habeas corpus impetrado pela defesa de Battisti.

"A Itália nunca abriu mão disso [da extradição]. Os italianos não perdoam o Brasil por não mandar o Battisti de volta. Para eles, é uma questão de sangue. É um entrave nas relações Brasil-Itália e na relação com a União Europeia como um todo", declarou Jardim à "BBC".

É a primeira vez que o ministro da Justiça fala abertamente sobre o caso, mas a confirmação das intenções do governo foi recebida sem surpresa nos círculos próximos a Battisti, que já davam como certa essa possibilidade. As esperanças do italiano residem no STF, que pode bloquear o iminente processo de expulsão.

"Precisaríamos de um fato novo. O ministro Marco Aurélio [do STF] deu uma entrevista dizendo que já havia passado cinco anos [do decreto de Lula que permitiu a Battisti ficar no Brasil] e que não poderia extraditar. A preocupação era que o presidente assinasse um ato que fosse posteriormente vetado pelo Supremo", acrescentou Jardim.

O "fato novo" seria a prisão de Battisti na fronteira entre Brasil e Bolívia, na semana passada. O italiano viajava com dois amigos, e o grupo levava o equivalente a mais de R$ 20 mil em moeda estrangeira.

O governo alega que a viagem era uma tentativa de fuga e que todo o dinheiro pertencia a Battisti, justificando uma acusação por evasão de divisas. O italiano alega que a quantia era dividida entre os três, o que derrubaria a acusação, e que seguia à Bolívia para comprar material de pesca e roupas de couro. (ANSA)

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