Após derrotas, Renzi faz apelo por união na esquerda

Líder do PD defendeu ampla coalizão no campo progressista

Matteo Renzi tentará se eleger primeiro-ministro em 2018
Matteo Renzi tentará se eleger primeiro-ministro em 2018 (foto: ANSA)
18:54, 13 NovROMA ZLR

(ANSA) - Após as recentes derrotas do Partido Democrático (PD) nas urnas, o secretário e líder da legenda, Matteo Renzi, fez um discurso nesta segunda-feira (13) defendendo a "união" dentro da sigla e pedindo uma ampla coalizão na centro-esquerda para barrar conservadores e populistas nas eleições previstas para março de 2018.

O ex-primeiro-ministro realizou um pronunciamento à direção nacional do PD e fez um apelo para atrair todos os partidos do campo progressista, incluindo aqueles formados por dissidentes de sua legenda.

"Estamos às portas da campanha eleitoral, e o esforço unitário que se pede de fora deve ser praticado internamente, em primeiro lugar por quem dirige", declarou Renzi, acrescentando que não desistirá de "reivindicar o passado", mas ressaltando que o futuro é uma "página totalmente em branco".

"Ou a escrevemos nós, ou a escreverá a direita. Até com as pessoas com quem estivemos divididos por discussões e polêmicas, há mais sintonia do que com adversários históricos", disse o ex-primeiro-ministro.

Segundo Renzi, o PD deve propor alianças com todo o campo moderado, incluindo a Federação dos Verdes, o Itália dos Valores (IdV), partido fundado pelo ex-promotor Antonio Di Pietro, da Operação Mãos Limpas, e a legenda libertária Radicais Italianos.

Além disso, o ex-premier chamou para o diálogo os partidos Movimento Democrático e Progressista (MDP), Possível e Esquerda Italiana (SI), todos formados por dissidentes do PD. As declarações foram recebidas com ceticismo, ao menos no MDP, que faz hoje a principal oposição à esquerda ao governo de Paolo Gentiloni, do Partido Democrático.

"Maior sintonia com o MDP? Não sei, precisamos ver o que ele [Renzi] diz sobre outras coisas. Ele se preocupa sempre em reivindicar aquilo que foi feito, mas há alguns milhões de eleitores que não estão de acordo. A conversa fiada chegou ao fim, agora precisamos de fatos", declarou Pierluigi Bersani, ex-secretário do PD e atual expoente do MDP.

Derrotas

O discurso de Renzi acontece poucos dias depois de seu partido ter perdido as eleições para o governo da Sicília, ficando atrás do Força Itália (FI), legenda conservadora de Silvio Berlusconi, e do antissistema Movimento 5 Estrelas (M5S). O mesmo resultado se repetiu na disputa para presidente do distrito romano de Ostia.

As últimas pesquisas para as eleições legislativas do ano que vem ainda colocam o PD atrás do M5S, mas em situação de empate técnico, e de uma eventual aliança entre Berlusconi e siglas ultranacionalistas.

Por conta disso, Renzi já tenta ampliar seu arco de aliados para voltar ao Palácio Chigi em 2018. Um dos alvos é o Radicais Italianos, com quem o ex-primeiro-ministro já iniciou um percurso de negociações. A legenda libertária possui pouca representatividade no Parlamento, mas pode dar a Renzi votos de jovens preocupados com a ascensão do extremismo no país. (ANSA)

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