Prefeita de Roma entra em 'guerra' com governo por vacinas

Raggi 'mudou lei' para permitir que crianças fossem às aulas

Prefeita de Roma entra em 'guerra' com governo por vacinas
Prefeita de Roma entra em 'guerra' com governo por vacinas (foto: ANSA)
12:03, 02 FevROMA ZGT

(ANSA) - A prefeita de Roma, Virginia Raggi, criou uma polêmica na Itália após um projeto apoiado por ela ser aprovado na Assembleia. O texto permite que crianças que não tenham sido vacinadas possam frequentar as creches e as escolas infantis, contrariando uma lei nacional aprovada no ano passado.

"Leio que a prefeita Raggi e a Assembleia da capital se transformaram em um novo órgão técnico-científico das instituições italianas. Não apenas discutem sobre vírus e bactérias, mas acho que também, em breve, vão debater também novas terapias genéticas ou de terapias oncológicas", ironizou a ministra da Saúde, Beatrice Lorenzin.

Em uma postagem no Facebook, ela ainda pediu que os políticos italianos "não brinquem com a pele das crianças" nesse momento de campanha eleitoral.

Raggi, por sua vez, não demorou para responder e usou a mesma rede social para defender que as crianças fossem para as escolas, mesmo sem cumprir a obrigatoriedade da vacina.

Segundo a prefeita, "as crianças correm o risco de ser caçadas nas escolas por conta do caos da Lorenzin". "Por culpa dela, e dos atrasos nas entregas [de vacinas] da região de Lazio, a partir de março, aqueles que ainda estiverem esperando pela vacinação correm o risco de serem caçados de creches e escolas infantis pelos próximos quatro meses do ano letivo. Vou proteger os direitos deles", escreveu a prefeita.

Em junho do ano passado, o Parlamento e o governo italiano aprovaram uma lei que obriga que crianças de zero a 12 anos a serem vacinadas. Se não estiverem protegidas, elas não podem ser inscritas nas escolas - sejam públicas ou particulares.

A obrigatoriedade surgiu após dois episódios polêmicos no país.

O primeiro foi de uma enfermeira em Údine que "fingia" vacinar crianças, tendo feito com que o governo precisasse reaplicar vacinas em mais de sete mil menores de idade.

O outro foi o aumento de casos de doenças consideradas já extintas ou sob controle, como poliomielite, sarampo e meningite. Por conta da alta exponencial nos casos e da fraude, o governo implantou a obrigação da vacinação. Caso os pais se neguem a cumprir a medida, eles poderão pagar multas de centenas de euros. (ANSA)

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