Berlusconi ironiza e diz que dar governo para M5S é 'piada'

Ex-premier falou sobre inexperiência e pouca idade de Di Maio

Berlusconi ironiza e diz que dar governo para M5S é 'piada' (foto: ANSA)
13:28, 14 FevROMA ZGT

(ANSA) - O ex-primeiro-ministro italiano Silvio Berlusconi, presidente da sigla Força Itália, falou sobre as eleições do próximo dia 4 de março e afirmou que uma possível vitória do partido antissistema Movimento Cinco Estrelas (M5S) seria uma "piada".

"Pensar que um rapaz de 31 anos, que nunca trabalhou, possa liderar o governo do país é uma piada. Por isso, eu entrei em campo. Nós vamos vencer, seguramente, e poderemos ter uma maioria importante. Também a centro-esquerda não está mais em campo e, por isso, o desafio é entre a centro-direita e os Cinco Estrelas", disse Berlusconi nesta quarta-feira (14) em um evento da Confederação Nacional dos Cultivadores Diretos (Coldiretti).

Ele se referia a Luigi Di Maio, o chefe político do M5S, e continuou atacando a sigla, que tem como presidente o ex-comediante Beppe Grillo.

"Quando eu entrei em campo, havia o perigo que o Cinco Estrelas vencesse. Eles não são um partido democrático, mas uma seita que recebe ordens de um velho palhaço genovês. A sua regra é o oportunismo e a conveniência. As escolhas deles são sempre ligadas à inveja e ao ódio social. São absolutamente incapazes de governar porque a maior parte deles nunca trabalhou e não seria capaz de administrar um quiosque", ironizou ainda o ex-Cavaliere.

Ao falar sobre o Partido Democrático (PD), que está no poder desde 2013, Berlusconi acabou "elogiando" o ex-premier e atual secretário-geral, Matteo Renzi, afirmando que ele "fez uma coisa muito boa" à sigla, que "foi acabar com a tradição comunista de seu partido".

De acordo com dados divulgados no dia 10 de fevereiro, em um levantamento divulgado pelo "La Repubblica", a coalizão de centro-direita de Berlusconi (que inclui, além do FI, o ultranacionalista Liga Norte e o de direita Irmãos da Itália) tem 35,9% das intenções de voto para a disputa eleitoral.

Já a centro-esquerda, que não tem um bloco partidário fechado em si, mas conta com o PD, tem 26,6% dos votos, e o M5S tem 28,3%.

Plano Marshall e mulheres

Durante o discurso na Coldiretti, Berlusconi ainda propôs um "Plano Marshall" para recuperar a economia do sul da Itália, a mais afetada na grave crise econômica enfrentada pela Itália até 2015.

"Se não quisermos que o país pare, precisamos colocar as mãos na construção de novos empreendimentos. A situação da Sicília, por exemplo, está em agonia. Se não for tomada uma enorme decisão por parte dos governos regional e nacional, a partir da construção da ponte e depois com um plano Marshall de vários bilhões por ano para a Sicília", destacou aos empresários e produtores locais.

Além disso, o ex-premier afirmou que uma das suas propostas de lei será dar uma ajuda mensal para todas as mães italianas, de cerca de "mil euros" por mês.

"Me sinto mal todas as vezes que penso quando trocamos a lira [antiga moeda nacional] pelo euro porque metade do poder aquisitivo foi retirado. Precisamos ver uma atualização da pensão, primeiro em mil euros, para depois aumentá-la para até 1,5 mil euros. É inaceitável que na Itália uma em cada quatro pessoas seja pobre - e que quatro milhões estejam na pobreza absoluta", ainda destacou.

Já sobre a imigração, o líder do Força Itália voltou a falar que a situação "corre o risco de explodir" porque a centro-esquerda não conseguiu bloquear a imigração.

"A Europa deve fazer um acordo com os países de origem dos migrantes e é preciso que todos os países ricos deem vida a um Plano Marshall para ir aos países africanos e fazer com que a economia deles cresçam", acrescentou.

Ao falar sobre tema, ele ainda mencionou o recente episódio de racismo, ocorrido em Macerata, quando Luca Traini abriu fogo a esmo contra negros imigrantes e feriu 11 deles na cidade.

"O problema enraizado do racismo, que na Itália por sorte ainda não existe, pode ainda criar raízes. Por isso, é preciso agir para mandar de volta para casa, com humanidade, os clandestinos e intervir rapidamente para dar aos italianos mais segurança com os carabineiros e os policiais", ressaltou. (ANSA)

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