Guia turístico italiano é alvo de xenofobia na Polônia

"Auschwitz para os guias poloneses", diz pichação em sua casa

Entrada do campo de concentração de Auschwitz, na Polônia
Entrada do campo de concentração de Auschwitz, na Polônia (foto: ANSA)
15:33, 11 MarCRACÓVIA ZLR

(ANSA) - Um italiano que trabalha como guia turístico na Polônia há mais de 10 anos foi alvo de manifestações xenófobas por causa de uma exposição sobre o campo de concentração nazista de Auschwitz.

Diego Audero, de 35 anos e originário da província de Cuneo, no Piemonte, teve a entrada de seu apartamento, em Cracóvia, pichada na madrugada deste sábado (10) com uma estrela de Davi - símbolo do judaísmo -, uma suástica e as frases "A Polônia para os poloneses" e "Auschwitz para os guias poloneses".

Algumas semanas antes, ele havia montado e curado uma mostra sobre os militares italianos que foram enviados a campos de concentração nazistas na Polônia entre 1943 e 1945. A exposição foi exibida pelos institutos italianos de cultura de Cracóvia e Varsóvia.

"Me sinto ferido e triste pelo ocorrido, porque eu considero a Polônia minha casa. Estou totalmente integrado à sociedade e me sinto bem em Cracóvia", disse Audero, que também é autor de um guia com itinerários pelo Gueto de Cracóvia e pelo campo de Plaszow.

"Diego colabora conosco como educador há muitos anos, é um guia muito preparado e que passou em todos os exames e cursos de formação. Só podemos salientar que Auschwitz deve ser um lugar de tolerância, não de discriminação", declarou o porta-voz do Museu de Auschwitz, Bartosz Bartyzel.

Apenas dois dias antes do ato xenófobo, a secretária de Educação da região de Malopolska, Barbara Nowak, havia dito no Twitter que achava "escandalosa" a presença de guias estrangeiros no antigo campo de extermínio e que o museu devia permitir apenas poloneses, para "apresentar o ponto de vista real da história e proteger a integridade" do país.

Recentemente, o presidente Andrzej Duda sancionou uma lei que proíbe a associação da Polônia a crimes cometidos pelo regime nazista. Com isso, o uso de termos como "campo de concentração polonês", por exemplo, fica sujeito a punições.

A medida gerou críticas no mundo todo, principalmente em Israel, e acusações de "revisionismo histórico". As penas previstas pela "Lei do Holocausto" podem chegar a três anos de prisão. (ANSA)

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