As possibilidades de composição do novo governo na Itália

Sem maioria clara no Parlamento, partidos precisarão de alianças

Luigi Di Maio e Matteo Salvini pleiteiam o cargo de primeiro-ministro
Luigi Di Maio e Matteo Salvini pleiteiam o cargo de primeiro-ministro (foto: ANSA)
21:28, 12 MarSÃO PAULO ZLR

(ANSA) - Passada mais de uma semana das eleições legislativas na Itália, ainda não se sabe quem será o próximo primeiro-ministro do país nem com quem ele governará. Apesar das reivindicações de vitória do antissistema Movimento 5 Estrelas (M5S) e da ultranacionalista Liga Norte, o fato é que nenhum partido ou coalizão tem maioria no Parlamento, o que abre a possibilidade de alianças entre grupos rivais.

De acordo com os dados não definitivos da apuração, que ainda não terminou, o M5S terá 222 cadeiras na Câmara dos Deputados e 111 no Senado; a centro-direita, 263 e 137; e a centro-esquerda, 117 e 59 - já contabilizando os eleitos no exterior. No entanto, para ter maioria são necessários 315 deputados e 161 senadores.

Veja abaixo as possibilidades para dar à Itália um novo governo:

Centro-direita e "dissidentes"

A coalizão conservadora, formada por Liga Norte, Força Itália (FI), de Silvio Berlusconi, e Irmãos da Itália (FDI), precisa de 52 assentos na Câmara e 24 no Senado, número que poderia ser conseguido por meio da cooptação individual de parlamentares do M5S e da esquerda.

Alguns candidatos eleitos foram expulsos pelo movimento antissistema antes mesmo da votação de 4 de março e podem engrossar a aliança da direita. Também há alas dentro do Partido Democrático (PD), de centro-esquerda, que defendem uma postura mais "responsável" para evitar uma crise institucional no país - ou seja, cogitam alianças com adversários.

Centro-direita e centro-esquerda

A coalizão conservadora poderia fechar um acordo de governo com a aliança liderada pelo PD, o que garantiria uma sólida maioria no Parlamento. Situação parecida já ocorreu em 2013, quando Berlusconi deu apoio ao governo do social-democrata Enrico Letta, mas havia uma diferença: o pacto envolvia apenas o moderado Força Itália (FI), que na época se chamava Povo da Liberdade. É improvável - como as lideranças do partido já deixaram claro - que o PD apoie um gabinete liderado pela ultranacionalista Liga Norte, ainda mais depois de ter se apresentado na campanha como alternativa aos "populistas". O próprio líder da Liga, Matteo Salvini, dificilmente basearia seu governo em um pacto com o PD, que poderia derrubá-lo a qualquer momento.

M5S e Liga

Essa é a hipótese tida como mais provável pelos analistas. Apesar de se declararem adversários, os dois partidos têm muito em comum, principalmente em termos de políticas migratórias e europeias. Juntos, teriam uma maioria estreita no Parlamento. O entrave seria a liderança do governo. Tanto Salvini, no âmbito da coalizão de direita, quanto Luigi Di Maio, líder do M5S, pleiteiam o cargo de primeiro-ministro. Além disso, o movimento antissistema quer montar um gabinete "puro", ou seja, com ministros indicados apenas pelo partido, e que outros grupos o apoiem.

M5S e esquerda

A quarta e última possibilidade é uma aliança entre M5S, a coalizão de centro-esquerda e a lista Livres e Iguais (LeU), formada por dissidentes do PD. No entanto, o PD já rechaçou publicamente qualquer chance de se aliar a "extremistas". O que poderia mudar o cenário seria um apelo à "responsabilidade" do presidente Sergio Mattarella, que não parece disposto a convocar novas eleições. (ANSA)

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